Por que devemos vacinar as crianças e adolescentes?

Por Leo Prates*

Etudos indicam que crianças e adolescentes infectados pela Covid-19, em sua maioria, apresentam casos leves da doença ou são assintomáticas. Por outro lado, são um dos grupos populacionais que mais sentem as questões relacionadas ao enfrentamento do vírus com o fechamento de escolas e com a consequente perda de um importante vínculo social para a faixa etária. Além disso, também são os que apresentam maior dificuldade em manter e cumprir medidas de proteção como o uso de máscara por tempo prolongado, distanciamento social e constante higienização das mãos.

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No município de Salvador, quando analisamos a taxa de internação por faixa etária percebe-se queda da mesma nos grupos já vacinados como na população idosa. Desde 19 de janeiro deste ano, quando foi iniciada a imunização contra o novo coronavírus na capital baiana, mais de 923 mil pessoas já foram beneficiadas com a vacina, sendo que mais de 405 mil delas completaram o esquema vacinal com as duas doses necessárias para garantir a proteção contra o vírus. Do total de imunizados, mais de 395 mil são de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos de idade que já tomaram pelo menos a primeira dose da vacina. Com isso, a internação deste grupo prioritário (os primeiros habilitados na estratégia de vacinação na cidade), que registrava no início do ano uma taxa de 63% passou para 26% neste mês de junho.

A não vacinação das crianças e adolescentes pode possibilitar mudança no quadro das internações uma vez que esse grupo passará a ser a única população exposta e susceptível à doença, pois não estará imunizada. Estamos falando de um universo de mais de 120 mil pessoas na faixa etária dos 12 aos 17 anos de idade (de acordo com último recadastramento feito pela Secretaria Municipal da Saúde de Salvador) que não estão contempladas no plano nacional de operacionalização da vacina contra a Covid-19. A situação torna-se ainda mais grave se considerarmos a existência de um expressivo número de jovens que apresentam condições de risco como deficiência permanentes, necessidades especiais e comorbidades.

Recentemente, os laboratórios produtores da Pfizer, um dos imunizantes fabricados contra Covid-19, anunciaram através de ensaios clínicos que a vacina é eficaz em adolescentes maiores de 12 anos. Aliado a este dado, a Anvisa autorizou a utilização dessa vacina para jovens a partir da mesma faixa etária. Diante dessa situação, a Secretaria Municipal da Saúde tenta sensibilizar o Ministério da Saúde e pedir a ampliação da faixa etária elegível para a vacinação contra o novo coronavírus, incorporando crianças e adolescentes de 12 a 17 anos na programação da vacina. Essas vidas também merecem nossa atenção e respeito.

*Leo Prates é deputado estadual licenciado e secretário municipal da Saúde de Salvador