Turistas chamam baiana do acarajé de “preguiçosa” e “macumbeira” e geram revolta na internet

Na última segunda-feira (15), feriado da Proclamação da República, dois turistas cariocas que visitavam Salvador publicaram vídeos em seus stories, no Instagram, proferindo ofensas religiosas e de cunho pessoal contra uma baiana de acarajé, no Pelourinho.

“Aquela baiana ali tem cara de macumbeira”, declara em meio à risadas um dos envolvidos, identificado como o nutricionista Ludvick Rego. O outro homem, identificado como Rômulo Soares, por sua vez, responde: “e preguiçosa. Ela vai roubar o seu axé”. Em tom de deboche, Ludvick conclui: “vai roubar o meu colar pra ela”.

Conforme imagens da gravação que circula as redes sociais, a baiana estava sentada em uma calçada e consideravelmente longe dos indivíduos em questão, razão pela qual não demonstrou perceber que estava sendo filmada. Os comentários foram fortemente repudiados pela comunidade da rede social e a dupla recebeu inúmeras críticas pela ação.

“Esses ridículos vêm a nossa terra, são bem recebidos, provam os nossos quitutes e ainda falam mal da nossa historicidade cultural, fruto do preconceito estrutural e ignorância tão peculiares daqueles que se acham raças superiores… Mais uma vez , ridículos e mal educados”, declarou uma internauta.

Após esta repercussão negativa do ocorrido, ambos postaram retratações em suas redes sociais, pouco antes de desativarem seus perfis.

“A gente veio aqui nesse vídeo fazer uma retratação, pedir desculpas ao povo da Bahia, ao povo do Pelourinho, ao povo do axé, que em momento algum a gente quis ofender a cultura, né, inclusive eu faço parte do axé, e nós ali estávamos numa brincadeira de uma pessoa que estava vendendo axé, que a gente sabe que axé não se vende. Quem é realmente da religião sabe que axé não se vende. Você abençoa uma pessoa e ela dá aquilo ali que ela pode”, afirmou Ludwick.

“Foi uma brincadeira entre amigos que a gente postou, foi uma infelicidade, mas em momento algum a gente quis denegrir a imagem da Bahia, quis denegrir a imagem do Pelourinho, quis denegrir a imagem dos baianos, e falar também que a pessoa que nós falamos no vídeo não é uma vendedora de acarajé. Em momento algum nós menosprezamos uma trabalhadora ali, uma vendedora de acarajé, nós fizemos essa brincadeira com uma pessoa que estava tentando vender axé, estava me perturbando para querer benzer minhas guias”, disse ainda.

Rômulo, parceiro de Ludwick na ação, declarou: “Eu também peço desculpas porque fui eu que iniciei o vídeo, como Ludwick Rego falou, era uma brincadeira entre a gente e esse vídeo saiu da nossa rede social e vazou. E assim, não tem necessidade dessas ameaças horrorosas, dessas falas horrorosas, e todas as falas de Ludwick, eu faço as minhas… Que eu peço desculpas ao povo da Bahia que eu amo, que eu tenho milhões de amigos, a gente estava indo lá pela terceira vez e vamos voltar mais vezes, ao povo da cultura, ao povo da religião, desculpa, se alguém se sentiu ofendido, desculpa”.

A  Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, alterada pela Lei nº 9.459, de 15 de maio de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões.