Alta na conta de luz impulsiona as buscas por energia solar na Bahia

O sonho de reduzir ou zerar a conta de luz já é realidade para Jorge Augusto, 37, que é contador e mora em Lauro de Freitas. Nos últimos meses ele assistiu a fatura subir gradualmente e chegar a mais de R$ 1 mil. Neste momento, resolveu dar um basta e, como já estudava alternativas, sentiu-se empurrado a adotar alguma. Para ele, a solução veio após a instalação do sistema de energia solar.

Em conversa com o Portal A TARDE, ele afirmou que o assunto sempre esteve em pauta na família e, com os seguidos aumentos de bandeira tarifária, decidiu adotar a alternativa.

“Minha conta escalonou de uma forma muito alta. Ela sempre foi alta pois trabalho em casa, mas ela saiu de R$ 700, passou pra R$ 800, no mês seguinte foi a R$ 900, no outro foi a R$ 1.150. Quando atingiu esse patamar, e com essas bandeiras e tarifas de iluminação proporcional ao valor da conta, eu resolvi intervir. Por conta disso tomei a decisão de colocar o equipamento aqui e aproveitar o finalzinho do Verão”, disse.

O equipamento ao qual se refere é o kit de energia solar fotovoltaico, composto por painéis solares, inversor solar, controladores de carga e estruturas de fixação. A placa fica no telhado, capta a energia do sol e direciona ao inversor, que distribui essa energia à caixa de distribuição.

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Agora, o sol que antes apenas incidia na residência, agora gera grande parte da energia utilizada pela família. Logo Sua conta, que atingiu os R$ 1.150, despencou para R$ 200 no primeiro mês e cerca de R$ 150 no mês seguinte. “A tendência é baixar ainda mais, pois estamos no período de chuva e a geração não é tão boa devido a baixa radiação”.

Atualmente, Jorge Augusto está “extremamente satisfeito”, mas lamenta não ter aderido ao sistema antes. “Eu queria já ter zerado, mas como coloquei no final do Verão, não teve utilização suficiente. Só me arrependo de não ter feito antes. Já deveria ter me preparado muito antes, se isso tivesse acontecido, com certeza estaria mais satisfeito ainda”, contou.

Com a energia solar, o cliente ou empresa passa a ser seu próprio sistema de geração de energia. Apesar de ser altamente recomendado ao Brasil, devido ao clima tropical com incidência solar diária, o Brasil ocupa a 13º posição na capacidade total de geração solar. No país, apenas 2,6% da matriz elétrica corresponde à energia solar.

Desde 2012, a energia solar trouxe ao Brasil mais de R$ 78,5 bilhões em novos investimentos, mais de R$ 26 bilhões em arrecadação aos cofres públicos e gerou mais de 450 mil empregos acumulados, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

Em suas buscas, Jorge Augusto chegou à conclusão de que a Soleve Solar era a empresa de instalação de sistemas solares que mais se adequava aos seus critérios. Diego De Abreu, sócio diretor da empresa, contou que, em comparação a outras, a energia solar não é perfeita, principalmente por não ser despachável e só funcionar durante o dia. Entretanto, há muitas vantagens.

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“É um equipamento que fica ali parado e gera energia durante todo o dia. No decorrer do dia a eficiência muda conforme o horário, depende muito da irradiação do dia”, afirmou.

Segundo ele, por ser uma energia basicamente limpa, esta é uma ótima opção de energia sustentável. Diego explica que o material usado na construção das placas é abundante na natureza, logo, não representa preocupação.

“Quando você coloca na balança, o sistema de energia solar tem muito mais benefícios do que custos e desvantagens. Hoje, esta é uma opção muito viável de ser investida e digo tanto no âmbito de grandes investimentos quanto dos pequenos, como residenciais”, diz Diego.

“A Bahia é o primeiro estado do Nordeste que mais investe, mas o nono do país. A região ainda pode investir muito em energia solar e gerar rendas indiretas, como trabalho e até a redução do custo da população como todo”, avalia.

Tem muito campo ainda para poder investir na energia solar na Bahia e no Nordeste
Diego De Abreu, Sócio diretor da Soleve Solar

Ele explica que o investimento para a instalação do sistema varia com relação ao tamanho. Entretanto, o payback, ou seja, o retorno deste investimento, é de, em média, 3 anos. Atrelado a este quesito está a durabilidade do equipamento, que deve durar, no mínimo, 25 anos, quando passa a operar com ao menos 80% de eficácia.

“Em outras palavras, em 25 anos o sistema vai funcionar a, no mínimo, 80%. De ano em ano as placas tem decaimento de eficiência. A manutenção é, basicamente, de limpeza das placas. Mas não tem dor de cabeça, instala e deixa lá gerando energia para você”.

Devido à ampla concorrência em Salvador, sua atuação tem sido, majoritariamente, na Região Metropolitana. Com a aproximação do prazo do marco legal, a demanda disparou em 2022 em comparação aos outros anos.

“O marco tem algumas vantagens que favorecem grandes empresas com as grandes usinas, mas a maioria das desvantagens penalizam as empresas menores com geração remota. Hoje, para cada 1kwh que você põe na rede, você pega esse 1kwh de volta. Em 2023 vai ser escalonada, porém, no final, para cada 1kwh que você colocar na rede, só poderá pegar 40%, aproximadamente 0,4kwh. O restante fica para a Coelba como taxação. Isso vai fazer com que o sistema residencial tenha que aumentar a quantidade de placas, o que vai fazer com que o payback suba muito. Não vai ficar tão viável como é hoje, por isso muita gente está correndo para ter a concessão deste ano”, explica.

Com o marco legal para a geração renovável, a isenção de taxa abrange contratos firmados até o final de 2022. A nova legislação visa trazer segurança jurídica ao setor. Para Diego, no entanto, o governo segue na contramão do cenário mundial.

“A gente tem uma tecnologia tão boa, que é a energia solar, que pode apoiar na crise hídrica e o governo está comprando energia de termoelétrica, e ainda por cima aprova esse marco regulatório. Está na contra mão da evolução tecnológica, onde o mundo inteiro está crescendo. Praticamente, o governo está ‘desincentivando’”, afirma.

Fonte: A Tarde