Indústria e serviços fazem PIB baiano crescer 2,8% e superar registro nacional

A indústria e o setor de serviços alavancaram o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no primeiro trimestre de 2022, que cresceu 2,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior – número superior ao dado de registrado do Brasil (1,7%) – e 1,3% em relação ao último trimestre de 2021, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (9) pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Os dois setores registraram, respectivamente, um avanço de 4,9% e 2,5%. Na área industrial, a expansão foi determinada pela área de transformação, que cresceu 3,3% e representa 30% da atividade industrial em terras baianas, segundo dados da Federação de Indústria do Estado da Bahia (Fieb). Construção civil (3,3%) e Eletricidade e água (15,6%) também influenciaram positivamente.

Economista e assessor de desenvolvimento industrial, Carlos Danilo Peres lembra que o setor de transformação é formado por segmentos como os de alimentos, bebidas, têxtil, vestuários, petroquímicos e refinaria. Ao explicar a subida do setor, ele coloca o refino como o principal responsável. “A refinaria que foi adquirida pela Acelen teve um ano de 2021 abaixo do seu normal. Então, ela deve operar esse ano no normal ou acima disso. E essa área de refino tem um impacto muito grande na indústria. Para se ter uma ideia, somente essa área é 30% da indústria. A produção deve se acelerar ainda mais, já que tem mercado pra isso”, projeta Peres, que destaca também os bons números do segmento de petroquímicos.

Perfil do crescimento

Como o economista já pontua, o crescimento registrado não tem a ver apenas com um aumento de produção das refinarias, mas também com a baixa produtividade registrada no período anterior à venda da refinaria para a Acelen. É isso que ressalta João Paulo Caetano Santos, coordenador de contas regionais e finanças públicas da SEI. “Nesse primeiro momento, ela [Acelen] teve impacto positivo. É que a gente tinha, no primeiro trimestre do ano passado, a incerteza se haveria a venda da refinaria ou não. A própria Petrobrás havia diminuído a produção dentro desse cenário e, por isso, a partir da venda houve uma recuperação do refino”, explica.

Informações da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no mês de abril, em relação ao cenário nacional, a produção industrial da Bahia teve o maior aumento do país, com 22% de expansão se comparada ao mesmo mês de 2021. Seja liderada pelo refino, pelos petroquímicos, pela eletricidade ou pela construção civil, fato é que a indústria deve seguir guiando o PIB para patamares mais altos, de acordo com Carlos Danilo Peres.

“Realmente, a indústria esse ano deve seguir puxando o PIB. Basicamente pelo refino, pelos petroquímicos e também na construção civil que é outra parte importante no setor. […] Mas, nas nossas projeções, os dois primeiros que vão elevar a atividade econômica na Bahia. Em termo de valor, refino e petroquímicos são 50% da indústria se somados”, fala o economista, que prevê crescimento acentuado para os dois setores.

No que é relativo a Serviços, o crescimento esteve em todos os segmentos que fazem parte do setor. Leandro Guapo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA), afirma que o registro tem mais a ver com o baixo rendimento de 2021 do que uma conspiração dos serviços em 2022. “Sem dúvidas os ano de 2020 e 2021 acabam sendo exceções, e ficando fora da curva para qualquer comparação relativa ao segmento de alimentação fora do lar. Como estávamos com muitas restrições no ano de 2021, é natural haver um crescimento, mas ainda não alcançamos o nível de faturamento pré pandemia”, fala Guapo.

Na hotelaria, no entanto, os dados representam bons resultados. Luciano Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-BA), diz que os números do primeiro trimestre se assemelham aos de antes da pandemia e os dos próximos podem igualar. “Quando se compara 2022 com 2021, há um claro aumento, um crescimento. Não quer dizer uma recuperação total, ainda está no processo. […] Porém, tanto no mês de abril quanto em maio, já há uma aproximação ao que foi em 2019. A tendência é que a gente chegue no fim do ano com dados muito mais próximos”, fala.

Geração de empregos

Lopes diz ainda, sem detalhar em números, que a tendência de crescimento nos serviços deve causar também uma expansão no número de postos de emprego a serem ocupados. Ele alerta que isso depende do comportamento da pandemia, mas fala que, se seguir assim, mais vagas estarão abertas. “É difícil mensurar em números, mas acredito que o setor vai crescer bastante porque ele está em recuperação. Então, por ser composto na sua base por pessoas, é provável que mais postos sejam ocupados no setor”, indica o presidente.

No caso da indústria, se o avanço nos empregos manter o ritmo, a tendência também é de mais postos de trabalho em aberto. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), dispositivo do Governo Federal que acompanha a situação da mão de obra formal no Brasil, de janeiro a abril, a indústria gerou 20.879 na Bahia. Foram 12.411 vagas para Construção Civil, 7.256 para Transformação, 952 para Extrativa Mineral e 328 Serviços Industriais de Utilidade Pública (Siup).

Carlos Danilo Peres diz que, enfim, o estado vive um período de ampliação das vagas, depois de uma redução que se arrastava desde 2014 e se acentuou com a pandemia.”O impacto é direto no emprego, vivemos anos de redução de emprego industrial que caiu muito. Porém, agora, começamos o ciclo de alta. […] Certamente crescemos de uma base que era menor, mas não deixa de ser uma expansão no número de vagas que devem surgir, principalmente, em alimentos, calçados, vestuário, têxtil, que são tradicionais”, explica o economista, também destacando a Construção Civil.

Números gerais do PIB

No 1º trimestre de 2022, o PIB baiano totalizou R$ 93,3 bilhões, sendo que R$ 81,6 bilhões são referentes ao Valor Adicionado (VA) e R$ 11,7 bilhões aos Impostos sobre produtos líquidos de subsídios. No que diz respeito aos grandes setores, a Agropecuária apresentou Valor Adicionado de R$ 6,9 bilhões, a Indústria, R$ 21,3 bilhões, e os Serviços, R$ 53,5 bilhões.

Mesmo não repetindo as taxas de crescimento de trimestres anteriores, o setor Agropecuário também contribuiu positivamente no primeiro trimestre com crescimento de 1,0%. As previsões de safra destacam o crescimento na produção de grãos, soja e algodão.

Fonte: Correio