Implantado pela Prefeitura de Camaçari, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), há aproximados três meses, o Serviço de Assistência Domiciliar (SAD) é complementar aos cuidados realizados na atenção básica e em serviços de urgência, e, por isso, torna-se uma eficiente solução para o acompanhamento de pacientes que podem ser desospitalizados – que é o processo que consiste na retirada do paciente do ambiente hospitalar para prosseguir com um tratamento domiciliar. Atualmente, 60 usuários são assistidos pelo programa.
O SAD é composto pela Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD), constituída por profissionais, como médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, fisioterapeuta e assistente social; e pela Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP), formada por nutricionista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicólogo.
O paciente, que está dentro do perfil de atendimento do programa, é acolhido pela equipe da unidade de saúde do bairro onde reside, que encaminha a solicitação para a Coordenação do Distrito Sanitário, que é responsável por enviar profissionais até a casa do solicitante, junto com o agente comunitário de saúde (ACS), para avaliar se as condições em que se encontra, realmente, cumprem os critérios exigidos. Se comprovado o cumprimento dos requisitos necessários, a família do paciente assina um termo de autorização e, na sequência, tem início o treinamento do respectivo cuidador.
Juan Pablo Machado, médico do SAD, explicou que, “um dos papéis cruciais do serviço é levar o cuidado humanizado para os pacientes e ajudar os cuidadores, que são um elo fundamental. Nossa equipe os capacita sobre como proceder, de acordo com cada caso clínico. Dessa forma, o atendimento que realizamos é continuado pelo cuidador, até nosso retorno para um novo atendimento”.
Para Joana Lopes de Oliveira, filha de dona Estelita Reis Lopes, 97 anos, o serviço chegou na hora certa. “Eu costumo dizer que eles são anjos que vieram no momento certo. Só quem é cuidador sabe o quanto nós precisamos de um apoio especializado. Tanto eu quanto minha mãe só temos a agradecer pela implantação desse serviço”.
O mesmo sentimento de gratidão é compartilhado por Josenilda Gonçalves, filha de dona Lurdes Gonçalves, 73 anos. “Eu e minha irmã não sabíamos sobre como proceder com os curativos de nossa mãe, até que essa equipe chegou e nos ensinou a fazer o procedimento e, também, a lidar com a doença dela. Eles cuidam de minha mãe com muito amor e carinho e isso tem um papel muito importante na recuperação”.
Para solicitar o atendimento pelo SAD, o paciente precisa estar dentro de um perfil preestabelecido pelo Ministério da Saúde, com os seguintes critérios: problemas de saúde e dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma unidade de saúde; necessidade de maior frequência de cuidado, recursos de saúde e acompanhamento contínuo, até a estabilização do quadro; frequência maior de visitas, a partir da avaliação clínica do Projeto Terapêutico Singular (PTS); usuário que faça uso de equipamentos/procedimentos especiais, como suporte de oxigênio; e maior complexidade, exigindo abordagem multiprofissional sistematizada e frequente.
Entre os principais objetivos do SAD estão, alto desenvolvimento da autonomia do paciente/família perante o quadro clínico, ou seja, habilitar a família/paciente a lidar, inclusive do ponto de vista afetivo, com os problemas e/ou sequelas criados pela patologia de base, de forma a precisar, cada vez menos, dos serviços de profissionais de saúde; atendimento planejado, com continuidade no tratamento no domicílio, liberando leitos mais precocemente e prevenindo internações e infecções hospitalares; redução de custos, uma vez que estudos internacionais têm demonstrado que as intervenções na assistência domiciliar equivalem a um terço do custo das intervenções realizadas em ambiente hospitalar; e maior segurança do paciente, por estar perto de seus familiares.


