Um dia depois de anunciada pelo governo como uma das alternativas para reequilibrar as contas da União , a recriação da CPMF não tem o apoio de lideranças políticas baianas da base e da oposição. O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) informou, ontem, ao A TARDE que o seu partido já decidiu e vai fechar questão contra a medida. “Num momento como este em que há queda de receita, aumentar imposto está longe de superar a crise, porque é uma medida recessiva”, avalia Neto.
Na mesma linha, o deputado da bancada federal do PT, Luiz Caetano, disse que o governo não pode “taxar o andar de baixo (o povo)” e querer combater a inflação com política que aumenta a carga tributária.

Já o senador Otto Alencar (PSD-BA) foi taxativo: “Do jeito que está na lei, (a CPMF) não chega nem no Senado, será rejeitada na Câmara”. Nas medidas apresentadas pelo governo para tentar fechar o rombo de R$ 30,5 bilhões no orçamento de 2016, está a incidência de uma alíquota de 0,2% sobre todas as transações financeiras. A receita gerada pelo imposto ficará integralmente com o governo federal e será destinada a gastos com a Previdência.
No jantar que teve com os governadores, na última segunda-feira, quando pediu apoio para aprovar as medidas de redução de despesa e aumento de receita, a presidente Dilma Rousseff deixou em aberto a possibilidade de os governadores ampliarem a alíquota (fala-se em 0,38%), de modo a que o excedente contemple estados e municípios.
A posição de ACM Neto, segundo ele, já foi comunicada a alguns prefeitos e governadores que, ontem, o procuraram pedindo seu apoio para aprovação da CPMF no Congresso.
“Informei que vou participar de todas as conversas em Brasília para derrotar a CPMF. Está é a posição da executiva nacional do Democrata”, assinalou Neto.
Criticando os cortes previstos pelo governo no Min ha Casa Minha Vida e em programas sociais, o deputado Luiz Caetano acha que o governo se equivoca quando busca mais receita com aumento de imposto.
“A economia tem de ser é fortalecida. Temos que abrir crédito para pequenas e médias empresas; não elevar juros”, disse o petista.
Já o senador Otto Alencar acha difícil a volta da CPMF. “O governo sinalizou mas não diminuiu o tamanho do estado, não cortou na própria carne. Sem cortar ministério, cargos, autarquias, sou contra a CPMF”.
Fonte: A Tarde

