Um sonho cultivado desde a adolescência se transformou em uma história real de amor, fé e propósito em Camaçari. Aos 13 anos, Isis Caroline Dias de Uzeda Rodrigues já sabia que queria adotar. Anos depois, ainda no início do namoro com André Luís Rodrigues dos Santos, fez desse desejo uma condição essencial. A resposta positiva dele não apenas selou o relacionamento, mas também deu início a um projeto de vida em comum.

“Eu e meu esposo sempre sonhamos em adotar. Começamos a namorar quando eu tinha 17 anos, hoje tenho 30, e a minha resposta para o pedido de namoro dependeria da resposta dele sobre a adoção, porque eu comecei a sonhar com isso com apenas 13 anos”, relembrou.

O casal começou a namorar quando Isis tinha 17 anos. Aos 19, eles se casaram e passaram a orar pelos filhos que um dia chegariam mesmo sem saber quando dariam início ao processo de adoção. Foram dez anos alimentando esse sonho.

Em novembro de 2024, decidiram dar o primeiro passo e iniciaram o processo de habilitação para adoção. Após cerca de seis meses, em junho de 2025, veio a notícia que mudaria suas vidas: eles haviam sido vinculados aos filhos por meio do Sistema Nacional de Adoção.

As crianças, naturais de Salvador, viviam em um abrigo da Organização de Auxílio Fraterno (OAF). Mesmo antes do primeiro encontro, o casal teve a certeza de que se tratava da resposta de anos de oração. Um detalhe chamou ainda mais atenção: os nomes dos três irmãos carregavam uma conexão especial com o pai. André Luís viu seu nome refletido nos filhos: Ana Luísa, de 11 anos, Andrei, de 9, e o caçula Luís, de 4.

Após a habilitação, a espera foi surpreendentemente curta: apenas dois dias na fila até o início da aproximação. Durante esse período, Isis e André viajavam duas vezes por semana até Salvador para passar manhãs e tardes com as crianças no abrigo. No segundo mês, os encontros evoluíram para finais de semana em família.
A despedida, no entanto, nunca era fácil. “Era sempre uma choradeira”, relembra Isis. As crianças não queriam voltar para o abrigo, e o casal já não suportava mais ficar longe deles. Esse ciclo de encontros e despedidas durou cerca de dois meses, fortalecendo ainda mais os laços entre eles.

A adoção, considerada tardia por envolver crianças mais velhas, ainda enfrenta preconceitos. Muitos pretendentes buscam bebês, deixando de lado histórias como a de Ana Luísa, Andrei e Luís. Para Isis, formada em Serviço Social, a experiência também carrega uma missão: desmistificar a adoção e mostrar que o amor vai além da idade.
“Nossa família, não sabia. Decidimos contar quando estava tudo certo para as crianças virem embora. Foram bem recebidas e hoje é um xodó”,revelou.
Ela decidiu pausar a carreira para se dedicar integralmente aos filhos uma escolha que define sem hesitação. “Sempre me perguntam se eu quero ser mãe. E eu respondo que já sou. Estou completa.”
Hoje, a família construída pelo coração é a prova de que o amor, quando é escolha, também é destino.

