Não há como negar. Ele é um gigante. São 40 anos, com 90 empresas em operação, 15 mil empregos diretos e 30 mil indiretos, 1 bilhão de reais em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e 15 bilhões de dólares em faturamento anual. Estamos falando do Polo Industrial de Camaçari, o quinto do PIB (Produto Interno Bruto), que acumula quase um terço das exportações da Bahia.
O polo foi Inaugurado em 1978 no governo de Ernesto Geisel, durante a ditadura militar, como parte da estratégia de substituição de importações, no caso de produtos químicos básicos.
Após o nascimento, que veio para transformar a história de Camaçari, uma antiga aldeia indígena, os desafios mais impactantes foram os da automação, em 90 e especialmente da abertura de mercado, realizada pelos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso e que aumentou a competição externa.
No novo século, mais um importante marco, a transição de um modelo petroquímico para um modelo multissetorial em a chegada da Ford que ocorreu em 2001.
Essa levou o nome de Camaçari para os maiores telejornais. Afinal de contas, foi a primeira montadora do polo e logo superou o número de 3 milhões de carros produzidos em Camaçari, sede de um dos únicos 8 centros de engenharia da empresa no mundo.
A chegada da Basf, Kimberly Clark e de uma nova fábrica da Boticário, assim como o desenvolvimento do setor de equipamentos para energia eólica, também marcam a história do polo que um dia foi apenas petroquímico.
Os desafios do futuro
Ele nasceu, cresceu, se desenvolveu, maturou, mas também enfrenta crises. Por isso, o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic) está fazendo um estudo para identificar novas oportunidades de crescimento e apontar os entraves para o desenvolvimento da região.
Segundo o superintendente do Cofic, Mauro Pereira, a análise faz parte de uma agenda positiva. As oportunidades e ameaças que forem identificadas serão trabalhadas ao longo dos próximos anos. “Esse levantamento foi feito na origem, durante os 30 anos do Polo e estamos fazendo novamente”, afirmou.
De acordo com o superintendente, só após fazer a análise dessas questões, o Cofic vai traçar as metas dos próximos anos. O estudo será concluído ainda esse mês.
O superintendente do Cofic acredita que o setor petroquímico é um dos que apresentam grandes oportunidades para o crescimento porque muitos itens usados pelas empresas da área não são produzidos na Bahia. Ele também destaca a necessidade da diminuição da carga tributária para atrair novos investidores. “Quando a gente fala em isonomia fiscal estamos falando daquela que dê a gente a condição de tirar a desvantagem que a indústria local tem relação àquela que está no centro econômico do país, com estradas em boas condições e, às vezes, a 2h do centro consumidor, enquanto a gente leva dias para chegar até o centro”, afirmou.
Dias D’Ávila na mira do Polo
A cidade de Dias D’Ávila será a próxima a receber investimentos na área da indústria. Segundo o gerente de promoção de infraestrutura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Dias D’Ávila, Breno Bastos, uma nova fábrica será instalada no município em até três anos. “ A empresa Ucraniana já comprou o terreno e está, no momento, resolvendo a burocracia. A fábrica será instalada em Dias D’Ávila, vai produzir insulina e deve gerer cerca de 200 novos empregos”, afirmou Bastos.
Ele disse que o Polo Industrial é importante porque além de contratar funcionários diretamente, existe uma cadeia de empregos que funciona graças ao empreendimento, como comércio, empresas de uniforme e de alimentação.
“Quando o Polo nasceu, no final da década de 1970, Dias D’Ávila ainda era um distrito de Camaçari, e graças ao Polo a cidade cresceu e qualificou muita gente. O Polo é responsável por mais de 50% da nossa arrecadação tributária e, por tanto, é de fundamental importância para a região. Sem ele, Dias D’Ávila não seria uma cidade desenvolvida e com mais de 100 mil habitantes”, disse.
Papel transformador na Bahia
Desde o início de suas atividades, em 29 de junho de 1978, o Polo Industrial de Camaçari cumpre um papel vital e transformador para o Estado da Bahia, contribuindo para o seu desenvolvimento econômico e social, através da geração de emprego, renda e de novas oportunidades de investimento. Sempre mantendo o foco na expansão, atraindo empreendimentos em diferentes segmentos industriais, o Polo é um exemplo de sucesso na sua capacidade de superar adversidades, com uma trajetória baseada na competitividade, diversificação industrial e complementação de suas cadeias produtivas a partir de um perfil de gestão moderno e inovador.
Empresas Líderes
O Polo Industrial de Camaçari abriga atualmente mais de 90 empresas, sendo 35 unidades industriais químicas e petroquímicas, e 18 parceiras no Complexo Ford. As demais estão nos segmentos de metalurgia do cobre, têxtil, bebidas, celulose, pneus, fertilizantes, energia eólica, bebidas e serviços (incluindo logística). A localização estratégica do Polo, no município de Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador, permite fácil acesso às indústrias através das rodovias BA-093, BA-535 (Via Parafuso), Canal de Tráfego, ferrovias, portos e aeroportos.
Entre as empresas do Polo, destacam-se organizações líderes em seus segmentos, como a Braskem (líder em resinas termoplásticas na América Latina), a Paranapanema (principal produtora de cobre eletrolítico da América do Sul), a BSC (única indústria que produz celulose solúvel com alto teor de pureza em toda a América Latina), a Deten Química (única produtora no país de LAB – Linear Alquilbenzeno, matéria-prima básica para produção de detergentes biodegradáveis), além da Ford, Continental e a Bridgestone, destaques no segmento automotivo. No segmento eólico, um dos últimos implantados – com forte poder de crescimento – destacam-se indústrias como Gamesa, Torrebrás e Tecsis.
Vetor de Desenvolvimento
Polo tem sido um importante vetor de desenvolvimento para a Bahia e para o país. O faturamento anual do Complexo Industrial é de aproximadamente US$ 15 bilhões, as vendas para o mercado externo correspondem a 30% do total das exportações baianas e sua contribuição em ICMS para o Estado da Bahia é da ordem R$ 1 bilhão/ano. O Polo Industrial de Camaçari responde ainda por cerca de 90% da arrecadação tributária do município de Camaçari e por mais de 20% do Produto Industrial Bruto (PIB) do Estado da Bahia.
Redação Nossa Metrópole



