A promessa de mostrar todas as faces e bastidores da vida de Larissa de Macedo Machado, a Anitta, deixou muita gente animada e ansiosa pelo material. A biografia sobre a atual maior estrela pop do Brasil já era assunto bombado na internet, semanas antes do lançamento.
Os dramas, desafetos e conquistas da funkeira marcavam presença nos tópicos mais comentados do Twitter e ganharam destaque nas páginas da maioria dos jornais. A cada novo boato sobre a vida da cantora, que seria registrado na biografia não autorizada Furacão Anitta (Ediouro), a expectativa aumentava.
Agora foi a vez de Salvador receber o lançamento do livro. Neste domingo (7), o jornalista Leo Dias, esteve na Livraria Saraiva do Salvador Shopping, com direito a sessão de autógrafos. Segundo ele, encontrar apoio para sua ideia foi o primeiro desafio. Muita gente desacreditava que uma biografia de uma artista tão jovem poderia dar certo.

“Eu fui muito questionado pelas editoras sobre isso. Pois como é possível fazer uma biografia de uma menina de 25 anos, né? Será que tem história para isso? Será que ela é digna de uma biografia mesmo? Eu tentei levar essa ideia para várias editoras e recebi vários nãos”, lembrou.
Leo atribui a dificuldade a vários fatores, entre eles o fato dele ser um jornalista que escreve sobre a vida dos famosos. “As pessoas acham algo menor, longe da famosa e tradicional literatura”, enfatizou.
Apesar das dificuldades, o jornalista se mostra satisfeito com o resultado do livro. “Consegui provar por A mais B que ela é uma pessoa digna de biografia, porque chegou onde nenhuma cantora do Brasil chegou até hoje. Ela alcançou o mercado latino- americano, até então quase inexplorado pelo brasileiro”, opinou.
Durante o processo de apuração, Leo ouviu pelo menos 20 pessoas próximas à cantora. Entre elas, mãe, irmão, alguns amigos de infância, inimigos, produtores, representantes da agência Furacão 2000 – que acompanharam Anitta no início da carreira – e alguns membros da equipe atual. Além da própria cantora, que lhe concedeu pelo menos três longas entrevistas.
Dividido em 13 capítulos, o livro fala sobre as diferentes fases da vida de Anitta. Desde os seus planos infalíveis para emplacar uma carreira de sucesso, passando pela sua religião, os desentendimentos com colegas do ramo e suas conquistas artísticas.
Nos primeiros capítulos, acompanhamos a saída da família de Anitta do Nordeste, em direção ao Rio de Janeiro. Tudo começa com seu avô, o sapateiro Pedro Júlio Macedo, que sai da cidade de Guarabira, na Paraíba, com esposa e sete filhos, para perseguir o sonho de ser músico. A história serve apenas para ambientar o contexto de dificuldade que Anitta nasce e como tudo que conseguiu foi fruto de muito trabalho.
A narrativa não segue ordem cronológica, e é organizada de acordo com os assuntos que trata. Um exemplo é o capítulo Muy Amigas, no qual Leo conta todos os bastidores das brigas de Anitta com personalidades como Maluma, a rapper australiana Iggy Azalea e a drag queen Pabllo Vittar.
Outro episódio que não fica de fora é a polêmica envolvendo o sucesso responsável pela ascensão da artistas, a música Show das Poderosas, envolvida em disputa judicial com a ex-empresária Kamila Fialho. Só depois de alguns anos, e do pagamento de uma indenização milionária, a cantora de Honório Gurgel conseguiu de volta os direitos sobre a música.
Polêmicas
O capítulo das tretas foi o que mais gerou discussões na internet. Segundo internautas, as histórias são contadas de forma parcial, o que faria desta “a biografia não autorizada mais autorizada de todos os tempos”.
O autor encara as críticas com tranquilidade e explica seu ponto de vista: “A questão não é por ser a biografia não autorizada mais autorizada. A questão é que algumas pessoas se incomodam muito por eu ter uma relação próxima a Anitta”. Para ele, é natural que Anitta apareça como mocinha e heroína no livro, já que, segundo ele, ninguém pode ser o vilão da própria história.
Leo ainda revela que a relação dos dois é de muito respeito e admiração, o que facilitou o trabalho de produção. Fato que foi confirmado pela própria Anitta, em uma série de stories explicando o motivo de ter colaborado com o material. Segundo ela, a decisão de colaborar com as entrevistas veio do princípio em respeitar a profissão de jornalista.
“Eu pensei que a melhor situação de todas seria que as pessoas que sabem da minha história pudessem falar com ele, para que ele soubesse dos dois lados da moeda”, afirmou a cantora.
Não bastassem as críticas à narrativa construída na publicação, algumas pessoas envolvidas em desentendimentos com a pop star vieram a público esclarecer fatos abordados pelo jornalista. Uma delas foi a rapper Iggy Azalea, que desmentiu a história de ter influenciado a produção do Jimmy Fallon para descartar a ida da brasileira aos Estados Unidos. Por meio do Twitter, a rapper revelou que o verdadeiro empecilho enfrentado pela funkeira era a falta de um visto para trabalhar nos Estados Unidos.
“Anitta não tinha um visto de trabalho nos Estados Unidos e não sabíamos disso até pouco antes da viagem. Mas ela conseguiu resolver a tempo e participou. Estou cansada de rumores bobos”, escreveu a rapper Iggy Azalea .
Quem também desmentiu uma das histórias contada por Leo Dias foi o integrante do Major Lazer, Diplo. Tudo começou porque um trecho da biografia diz que os integrantes da banda não gostaram da ideia de ter Pabllo na música, porque ela era uma drag queen. Logo, os fãs de Vittar bombardearam as redes sociais de Diplo, chamando-o de homofóbico, o DJ negou toda a história.
“Risos. Eu beijei Pabllo de língua na boca dela e eu faria de novo!”, garantiu o DJ.
Fonte: Correio 24h


