sexta-feira, 10 jul 2026

Bahia deve registrar mais de 8 mil casos de câncer de pele; veja como se proteger

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Depois de quase dois anos de restrições para a realização de atividades ao ar livre, tem muita gente esperando o Verão para retomar o bronzeado e curtir as férias, ainda mais em Salvador, cidade famosa pelo sol e luminosidade na alta estação. Apesar do lado bom, aproveitar o sol requer atenção e alguns cuidados durante a exposição para evitar problemas de saúde. Projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que a Bahia deverá registrar cerca de 8,1 mil novos casos de câncer de pele neste ano, sendo 10% das ocorrências na capital.

Este mês, durante o Dezembro Laranja, acontece a campanha nacional de alerta sobre a necessidade das pessoas reforçarem os cuidados durante a exposição solar (veja dicas abaixo) e para reforçar a importância do diagnóstico precoce e tratamento correto. Salvador, em breve, também vai sediar a 15ª Conferência Brasileira sobre Melanoma (veja mais detalhes abaixo).

A baiana Stela Maris Gonçalves, 57 anos, descobriu um câncer de pele do tipo melanoma por acaso, em 2015. Durante um almoço no local onde trabalhava, uma mancha amarronzada atrás da orelha chamou a atenção de sua irmã, que indicou que Stela fosse checar com um dermatologista. Ela marcou uma consulta e retirou o material para a biópsia.

Stela Maris Gonçalves descobriu câncer de pele em 2015

 

“Eu não fui buscar o resultado porque nesse mesmo ano tinha perdido a minha mãe e ficava muito em casa, até que o laboratório me ligou dizendo que precisavam me enviar o resultado. Quando abri o e-mail, descobri que era um melanoma e que eu poderia morrer em questão de meses”, relembra.

Após a retirada do tumor, Stela chegou a fazer pelo menos outras sete retiradas de materiais para investigação. Felizmente, nenhum deles foi câncer. No caso dela, o melanoma não era invasivo, ou seja, as células cancerosas ainda não tinham se espalhado para outras camadas do órgão de origem e não houve necessidade de quimioterapia.

Câncer raro

O melanoma é o tipo mais raro de câncer de pele, caracterizado por ser mais grave e com mais chances de metástase. De acordo com o Inca, a estimativa para a Bahia é de cerca de 3 casos de melanoma para cada 100 mil habitantes. Para o tipo não-melanoma, a estimativa são de 102 novos casos a cada 100 mil habitantes.

No cenário nacional, são previstos cerca de 85 casos do câncer mais raro e 166 do tipo não-melanoma, também para cada 100 mil habitantes. A projeção do Inca é a mesma do ano passado e para 2022 e não é válida para efeitos de comparação, pois leva em conta o total da população e outros fatores que favorecem a incidência de determinados tipos de câncer em cada região do país.

O câncer do tipo não-melanoma, por exemplo, tem ocorrência maior nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste do país, enquanto nas regiões Nordeste e Norte, ocupa a segunda posição em incidência. Já o do tipo melanoma tem maior incidência no Sul em comparação com as outras regiões do Brasil.

O melanoma tem origem nos melanócitos (as células que produzem a melanina, substância que determina a pigmentação da pele) e é mais frequente em adultos brancos. O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Nos indivíduos de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.

Já câncer de pele não-melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Apresenta altos percentuais de cura, se for detectado e tratado precocemente.

Tratamento

Os tratamentos para o câncer de pele podem variar desde a realização da cirurgia para a retirada das lesões, até o uso de medicamentos, imunoterapia, radioterapia e quimioterapia.

A médica Ana Lísia Giudice, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia na Bahia, explica que o câncer pode surgir de um sinal já existente que se modifica ou em um novo local. Ainda segundo a médica, as lesões malignas normalmente evoluem com crescimento, modificação de formato e cor, que inflamam e ferem com facilidade.

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