Recomeçar nem sempre é fácil, mas Carol escolheu seguir em frente, mesmo diante das adversidades. Aos 40 anos, em meio ao luto e ao desemprego, ela se viu diante de um grande desafio: reencontrar seu propósito e continuar lutando por sua família. Foi na massoterapia que encontrou um novo caminho, ressignificando sua trajetória e transformando vidas. No entanto, a fibromialgia trouxe mais uma batalha, testando sua força e determinação. Em vez de desistir, Carol se aprofundou no conhecimento sobre a síndrome e encontrou na Dança do Ventre uma forma de se redescobrir e resgatar sua alegria. Hoje, ela não se define pela dor, mas pela coragem de se reinventar e pela paixão de cuidar das pessoas.
Sua história é um exemplo de superação, resiliência e amor pela vida.
- Sua trajetória é marcada por recomeços. Como foi enfrentar o luto e encontrar forças para seguir em frente?
Difícil, a dor da perda de alguém tão próximo e amado, bem como seu sepultamento no dia do meu aniversário, me tirou o chão, o ar… Forças eu encontrei em Deus e no amor pelos meus.
- Você mencionou que precisou escolher entre perder a esperança ou continuar lutando. O que te motivou a seguir adiante?
Massoterapia: Uma nova paixão.
Primeiro, o amor pela minha filha e pelos meus, segundo a sede por novos ares que me levaram ao meu feliz encontro com a Massoterapia.
- Como você descobriu a massoterapia e de que forma ela preencheu esse vazio existencial que sentia?
Meu encontro com a massoterapia foi através da primeira turma de massoterapia continuada, realizada com uma parceria entre IFBA e O Boticário através do Programa Mulheres Mil, isso foi uma virada de chave na minha vida, de forma integral. Pedi a Deus que me mostrasse algo que acalentasse meu coração e me colocasse numa direção positiva, e aconteceu!
- O que significa para você cuidar das pessoas por meio da massoterapia?
O surgimento do “Amor de Mãe, Beleza Única.”
Cuidar de pessoas, para mim, é promover saúde e bem-estar de maneira integral, proporcionando uma incrível experiência sensorial naqueles que ainda consigo cuidar.
- Como nasceu o projeto “Amor de Mãe, Beleza Única” e qual é o seu principal propósito?
Nasceu através do desejo de continuar cuidando da minha filha e de ter uma forte inspiração. Minha história com a massoterapia muito tem a ver com minha história de vida e família, não é à toa que o nome do meu propósito de vida profissional é Amor de Mãe, Beleza Única, pois acredito na força do amor de uma mãe e na beleza única que existe em cada mulher.
- Qual foi o maior desafio ao iniciar esse novo caminho profissional?
Fibromialgia e Superação.
Foram muitos, desde etarismo, a má compreensão acerca do real papel do profissional massoterapeuta. Com muito estudo, esforço e prática, um a um foram sendo vencidos os desafios.
- Em 2018, você recebeu o diagnóstico de fibromialgia. Como foi lidar com essa notícia e os desafios que vieram com ela?
Esse diagnóstico foi avassalador. A dor lancinante e tantos outros inúmeros sintomas quase me pararam novamente… tornando minha vida uma luta diária. Cheguei até a dizer para mim mesma: a massoterapia infelizmente chegou tarde em minha vida, pois quando me consolidei como profissional, a Fibromialgia veio e “tentou” me fazer desistir. Mas, não me deixei ser vencida!
- Como a massoterapia e a busca por conhecimento te ajudaram a enfrentar os sintomas da fibromialgia?
Busquei conhecer mais sobre a síndrome por artigos científicos, trocar experiências com profissionais de saúde (que realmente conhecem a pauta e têm empatia pelas pessoas com fibromialgia), com o intuito de entender para mudar meu quadro ou ao menos minimizar os sintomas. As terapias integradas também fizeram e fazem a diferença no tratamento, com elas sigo cuidando de pessoas e de mim mesma.
- Você fala sobre o preconceito e a falta de informação em relação à fibromialgia. Como busca conscientizar as pessoas sobre o tema?
Dança do Ventre e Transformação.
Me engajando em publicizar conhecimento: através das minhas mídias sociais, da participação na FIBRO CAMAÇARI (Associação de Pessoas com Fibromialgia de Camaçari), palestrando acerca do Capacitismo, conversando sobre a fibromialgia em todos os núcleos (família, trabalho, amigos, etc.), pois eu não sou invisível e minha dor também não.
- Como a Dança do Ventre entrou na sua vida e o que ela representa para você hoje?
Já conhecia a Dança do Ventre através da minha filha, aluna de Angela Cheirosa por muitos anos, me tornei amiga, assistente de produção e família mesmo, porque quando a gente ama, a gente cuida, e o que eu amo fazer é isso, cuidar de pessoas. A Dança do Ventre Inclusiva é a que eu pratico, amo e honro. Vai muito além das coreografias e figurinos, trata-se de mulheres que completam em suas simplicidades e magnitudes.
- Mesmo com as limitações físicas da fibromialgia, você se envolveu no Projeto Flor de Lótus. Como foi essa experiência?
Nesse Projeto, muito mais do que o ato de cuidar, pude ser cuidada, respeitada e valorizada; então me rendi… Mesmo frente aos inúmeros sintomas da fibromialgia, como, por exemplo: a rigidez muscular e a mobilidade reduzida; isso não impediu a minha participação no Projeto Flor de Lotus, na turma “Belly Rainhas”; pelo contrário, foi a motivação.
- De que forma a dança te ajudou a ressignificar sua relação com o corpo e a dor?
Muitas vezes eu não tinha condições de dançar, mas sempre desejava estar no meio delas, pois Angela Cheirosa amplia em nós, através do projeto, a sensação de pertencimento; nele me sinto acolhida, me identifico com suas características também: resiliência, força, amor pelo que faz e responsabilidade.
Inspiração e Legado.
- O que mais te motiva a continuar se reinventando e ajudando outras pessoas?
Como diz Chicó, personagem do maravilhoso Selton Melo em Auto da Compadecida: não sei, só sei que foi assim, rs rs. Brincadeira… A minha motivação, creio eu que é dom de Deus, não lembro um dia se quer na minha vida que eu não esteja me reinventando e cuidando de pessoas.
- Que conselho você daria para quem está enfrentando um momento difícil e precisa encontrar um novo propósito?
Não desista, resista!
Creia sempre no poder superior (independentemente da religião que professa), procure se cercar de pessoas que realmente se importem com você e seja seu próprio lembrete diário: “Sei que posso brilhar e ser feliz, não vou sobreviver nesse mundo, vou viver e viver bem!
É esse sentimento que impulsiona a vida, não é mesmo?!
- Qual é o seu maior sonho hoje e o que ainda deseja realizar?
Sonhos simples, já sou afortunada daquilo que dinheiro nenhum no mundo pode comprar; mas por que não ter estabilidade em todas as áreas da minha vida? Eu mereço! Mas, em especial, saúde, para não esquecer de quem eu era antes da FIBROMIALGIA.
- Se tivesse que escolher uma música como trilha sonora da sua vida, qual seria e por quê?
São muitas canções, mas a que veio agora à mente (que a fibromialgia não deixou fugir da mente) é a música O sol, do grupo Jota Quest.
Pelo simples fato de que:
Eu não escuto a dor,
não escuto o medo.
E amo a vida, a esperança e a luz que emana do Sol.







