Cheirar cola, inalar desodorante e outras “brincadeiras” de mau gosto têm um objetivo em comum: a busca por aceitação e “likes” nas redes sociais.
O que é o desafio e por que ele atrai?
A prática consiste em acender a haste flexível (conhecida como cotonete) e inalar a fumaça produzida pela queima do algodão e do plástico.
Especialistas em comportamento explicam que o fenômeno não busca um efeito alucinógeno, mas sim o sentimento de pertencimento a um grupo e a validação digital por meio de curtidas.
No entanto, essa “brincadeira” esconde uma toxicidade extrema. Segundo pediatras e psicólogos, jovens com baixa autoestima são os mais vulneráveis a esses desafios, que muitas vezes ignoram o perigo em prol da popularidade momentânea.
Os riscos imediatos: do sufocamento a queimaduras
Ao contrário do cigarro comum, o cotonete não possui filtro, o que torna a inalação ainda mais agressiva. A fumaça quente pode causar os seguintes problemas:
Pneumonite química: Uma inflamação aguda nos pulmões causada pela inalação de substâncias que agridem os alvéolos.
Broncoespasmos: O fechamento repentino dos brônquios, impedindo a passagem do ar, de forma semelhante a uma crise grave de asma.
Queimaduras: O plástico derretido e em chamas pode causar lesões graves nos lábios, face e mãos.
Intoxicação por monóxido de carbono: Esta substância liga-se à hemoglobina de forma fixa, reduzindo a capacidade do sangue de transportar oxigênio, o que pode levar a tonturas, dores de cabeça e até paradas cardiorrespiratórias.
Danos a longo prazo: o fantasma do câncer
A queima do plástico é particularmente perigosa. Estudos indicam que a combustão de polímeros libera substâncias comprovadamente cancerígenas, como hidrocarbonetos e cianeto.
Como essas substâncias não são eliminadas facilmente pelo organismo, o uso, mesmo que curto, pode deixar um “crédito” de contaminantes para o resto da vida.
Além disso, a inalação das fibras de algodão pode causar a bissinose, uma doença tipicamente ocupacional de trabalhadores da indústria têxtil, que reduz a capacidade funcional dos pulmões e provoca o estreitamento das vias aéreas.
Como proteger os jovens?
Especialistas reforçam que o diálogo aberto funciona melhor do que apenas proibir. O caminho é acompanhar o que os jovens veem nas redes, explicando os perigos sem invadir demais o espaço deles.
Fique atento a sinais como sumiço de cotonetes, cheiro de queimado no quarto, tosse ou feridas na boca. Se notar algo, procure um pneumologista: a fumaça tóxica pode causar danos invisíveis agora, mas que prejudicam o desenvolvimento do jovem no futuro.
CORREIO DA BAHIA

