Os sentimentos de coragem, persistência e superação de desafios deram a tônica da cerimônia de certificação do Programa Brasil Alfabetizado (PBA), com o tema “Aprender ao longo da vida. Alfabetização: um começo para grandes sonhos!”, realizada na noite de quarta-feira (5), no auditório do Colégio Estadual de Tempo Integral José de Freitas Mascarenhas.
Mais de 250 educandos da sede e da orla foram certificados. Os participantes do programa, executado em Camaçari pela Secretaria de Educação (Seduc), foram divididos em 22 turmas, conduzidas por 22 alfabetizadores sociais. As aulas, referentes ao ciclo 2025/2026, aconteceram ao longo de 12 meses em escolas, associações de moradores e centros de recuperação.
A estudante Benedita Brito, de 85 anos, trabalhou a vida inteira como doméstica e disse não ter tido a oportunidade de aprender a ler e a escrever, quando jovem. Natural de Santo Antônio de Jesus e moradora de Camaçari há 40 anos, revelou que “participar das aulas foi muito bom e que pretende aprender mais”.
De acordo com a diretora Pedagógica de rede municipal de ensino, Alexandra Pereira, o PBA é uma iniciativa de reparação histórica, que possibilita o direito à educação, para as pessoas que não tiveram a chance de se alfabetizar no tempo certo.
“O impacto da alfabetização ultrapassada a dimensão individual, pois uma população escolarizada amplia as possibilidades no mercado de trabalho, fortalece renda, movimenta a economia local, insere as pessoas em tomadas de decisões comunitárias e contribui para uma cidade mais justa”, opinou.
Para a coordenadora da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Cláudia Bispo, o programa é uma porta de entrada para a educação formal. “O programa é uma espécie de sala de acolhimento, no qual os participantes passam por essa etapa inicial ou de retomada aos estudos. Nele, o educador social está mais próximo, atento às particularidades e necessidades de cada um, como um companheiro de jornada, o que é um diferencial. Ao final do ciclo, o que esperamos e estimulamos é que os participantes deem seguimento com o processo de aprendizagem, através da EJA”, explicou.
Luísa Santos, 22 anos, moradora do Gravatá, relatou que precisou parar de estudar para trabalhar. Porém, fazer parte do programa despertou a vontade de retomar os estudos e se formar em técnica de Segurança do Trabalho.
O desejo de continuidade também é inerente ao cozinheiro Antônio Marcos dos Santos, 52 anos. “Parei de estudar na sexta série, mas agora eu quero seguir adiante, principalmente porque melhorou a minha comunicação o que é muito importante na minha profissão”, afirmou.
O titular da Seduc, Márcio Neves, parabenizou pelos resultados positivos e da importância de Camaçari pactuar com a iniciativa. “Esse projeto é possível graças a essa parceria do federal, estadual e municipal. Mas também, é possível graças a cada um de vocês que decidiu enfrentar mais essa etapa linda da vida, através de muita dedicação, por meio do conhecimento. Parabenizo toda a equipe, a todos os que participaram desse processo”, concluiu.
A cerimônia foi aberta com a apresentação da Banda Marcial do Centro de Educação Municipal de Camaçari (Bamcemc). Além de certificar os estudantes, o evento homenageou os alfabetizadores e toda a rede de apoio de profissionais envolvida na realização do programa, sendo eles das áreas de alimentação escolar, transporte, segurança e gestores parceiros.
“É extremamente gratificante poder contribuir para algo tão grandioso. O brilho no olhar deles, a cada conhecimento adquirido, é o que me motiva. Desejo que esse programa continue por muito tempo”, declarou a alfabetizadora social, Nilza Moacir, responsável pela turma da Escola Municipal Joana Angélica, localizada no Ficam.
O PBA é um do Governo Federal, e tem por objetivo induzir e coordenar o esforço nacional de universalizar a alfabetização de jovens a partir de 15 anos, adultos e pessoas idosas, assegurando o acesso à educação como direito fundamental e condição para o exercício pleno da cidadania.
Fotos: Patrick Abreu

