terça-feira, 27 out 2026

Governo quer acelerar votações e definir nome para o STF antes da posse do novo Congresso

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Santa Helena

Parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o governo precisa aproveitar os últimos dois meses deste ano para a aprovação de matérias de seu interesse.

O argumento é que as pautas podem ter maior dificuldade de serem aprovadas na nova formação do Congresso Nacional eleita em 2026, com maioria da oposição.

Entre as prioridades estão:

  • aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública;
  • envio e aprovação de um nome para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF); e
  • um orçamento que acomode as promessas feitas durante a campanha.

Além do governo, integrantes do Centrão também querem aproveitar o momento e discutir propostas como:

  • um novo sistema eleitoral;
  • a diminuição da maioridade penal; e
  • até mesmo uma eventual reforma do Judiciário.

Nas palavras de um líder governista, o governo Lula será dividido em dois momentos, no mínimo: o primeiro começa nesta semana e vai até o dia 4 de janeiro, um dia antes da posse para o novo mandato.

Nesse cálculo, entra o interesse na manutenção de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente.

Ambos ajudaram na campanha de Lula, também em uma estratégia de autoproteção contra o crescimento do PL, e podem disputar suas cadeiras com algum nome da direita – em especial Rogério Marinho (PL-RN), na eleição para a presidência do Senado.

Com o apoio do Planalto, Alcolumbre e Motta teriam nas mãos instrumentos para articular suas candidaturas como a liberação de emendas e a distribuição de cargos. A eleição para o comando das Casas será em fevereiro de 2027.

Tramitação das propostas

➡️ A PEC da Segurança Pública já está pronta para ser votada no plenário do Senado e só foi paralisada por uma tentativa da oposição de incluir no debate a diminuição da maioridade penal.

A proposta estabelece na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), cujo objetivo é integrar o combate ao crime organizado entre os entes. Se aprovada, dá ao governo Lula instrumentos para que a União atue na área e o presidente já disse que, uma vez aprovada, criará o Ministério da Segurança Pública.

➡️ Também está no radar de governistas a indicação de um novo nome para o STF para a vaga do ministro aposentado Luís Roberto Barroso. O primeiro indicado, Jorge Messias, advogado-geral da União, foi rejeitado pelo Senado. A indicação é prerrogativa do presidente da República.

Como são necessários 41 votos de senadores para a aprovação, a avaliação é que seria mais fácil a aprovação na atual conjuntura. Cabe ao Senado sabatinar o candidato ao cargo e decidir se aprova ou não a indicação do presidente.

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), é lembrado como um nome que seria aprovado com facilidade, além de agradar Alcolumbre, que ajudou a aprovar o fim da escala 6×1, uma das suas principais bandeiras eleitorais de Lula.

A não indicação de Pacheco e a indicação de Messias geraram um desgaste de Alcolumbre com o governo. A saída de Pacheco do TCU abriria uma nova oportunidade de negociação pela sua substituição, o que pode se tornar moeda de troca nos acordos pela eleição na Mesa Diretora do Senado.

➡️ Parlamentares de diferentes partidos da base também afirmam que será preciso apresentar medidas de ajuste fiscal ou mudanças no arcabouço para compor o Orçamento de 2027, diante das promessas feitas pelo presidente Lula durante a campanha.

Em 2022, antes de Lula assumir, o Congresso aprovou a chamada PEC da Transição, que ampliou o teto de gastos em R$ 145 bilhões para bancar políticas públicas. No ano seguinte, o governo Lula – já empossado – aprovou a nova regra do arcabouço fiscal.

Fonte: G1

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