A Polícia Civil pedirá nesta sexta-feira (19) a prisão de um dos envolvidos nas mortes da professora Nilda Maria Fiuza e do jovem David Santos. “Será de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30”, informou a delegada Joana Angélica, titular da Delegacia São Sebastião do Passé, e responsável atualmente pela apuração das duas mortes. Para não prejudicar a investigação, ela não revelou o nome do suspeito.
Horas depois da morte do cigano Jair Ferraz de Almeida, 42, dois homens já aguardavam em um bar a chegada de Nilda em casa, em Simões Filho. Uma aluna dela viu quando a professora foi arrastada ainda viva para dentro de um carro por dois homens. Ela ligou para a direção da escola e informou sobre o sequestro da professora. “Depois desse dia, a jovem abandonou as aulas e saiu da cidade”, disse uma fonte, que pediu para não ser identificada.
A fonte contou ainda que Jailton Carvalho Santos recebeu a ligação de um cigano de prenome Gilmar, que estava com Nilda. “Ele se identificou e gritava para Jailton: ‘Eu vou matar ela, eu vou matar ela, venha para cá, venha para cá’”.
O sobrinho de Jailton, Uanderfon Alves dos Santos, também foi sequestrado, torturado e teve o corpo carbonizado no mesmo dia. Até agora, ninguém foi preso pelo triplo homicídio.
Um falso PM, Edson Santana de Oliveira Filho, 41, envolvido no triplo homicídio, foi assassinado a tiros no dia 10 de abril do ano passado, em Camaçari. “Ele andava muito com um grupo de ciganos de Dias D’Ávila; quando os corpos foram encontrados, o comentário na cidade era que ela teve participação no crime”.
Comerciante foi preso em 2014 após matar cigano
A confusão envolvendo a família dos gêmeos e os ciganos começou quando Nilda, a pedido de Jailton, pegou um empréstimo de R$ 7 mil na mão dos ciganos. Poucos meses depois, viram a dívida chegar a R$ 122 mil. O casal chegou a pagar R$ 43 mil ao cigano Jair, que exigiu como complemento do pagamento a casa deles, avaliada em R$ 400 mil.
À polícia, Jailton informou que, para se livrar da pressão do agiota, planejou matá-lo. Garantindo que iria liquidar a dívida, atraiu o cigano até sua loja, no Bonocô. Jair chegou acompanhado da mulher, Clarisse, e de lá seguiram todos para Simões Filho.
Ao chegar a um local pouco movimentado, Jailton efetuou dois disparos contra o cigano. Depois, obrigou Clarisse a sair do veículo e fugiu. O carro foi encontrado queimado, duas semanas depois, em Coração de Maria. No mesmo dia, a professora Nilda, David Santos, filho do comerciante com outra mulher, e o seu sobrinho Uanderfon foram sequestrados, torturados e tiveram os corpos carbonizados. Os corpos de Nilda e David foram encontrados, em 15 de agosto, em Lamarão do Passé, no município de São Sebastião do Passé. No mesmo dia, o corpo de Uanderfon foi achado em Dias D’Ávila.
Amigos e familiares participam de despedida de irmãos gêmeos
Os corpos dos gêmeos Cézar Sílvio e Sílvio Cézar foram enterrados ontem à tarde, no Cemitério Municipal de Itapuã. Cerca de cem pessoas foram se despedir dos irmãos. Cézar foi lembrado com muito carinho pelos amigos, colegas de trabalho e familiares. “Era um pai muito bom”, disse a esposa. Um parente, que não se identificou, lembrou que Sílvio era um representante da família. “Resolvia tudo para todo mundo, era uma pessoa de caráter”.
Outro familiar contou a história de superação dos irmãos, que começaram a trabalhar cedo, vendendo fichas telefônicas e mingau no Comércio. “Cresceram na vida, chegaram onde chegaram. Um virou jornalista, o outro advogado, e morreram assim, como se fossem marginais”. Segundo ele, Sílvio passou na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes mesmo de terminar a faculdade. Já Cezinha, que voltou de Brasília em fevereiro, se preparava para voltar à cidade este mês para trabalhar na filial da Rede Globo.
Um dos filhos de Cezinha contou que almoçava num restaurante na rua do crime quando o pai e o tio foram assassinados. Ele chegou a ver o pai ser socorrido e disse que acreditou que ele sobreviveria. Ao entrar no escritório, viu o tio morto. “Meu tio era uma pessoa do bem, que não fazia mal a ninguém. Foi uma covardia o que fizeram”, disse.
Segundo testemunhas, dois homens chegaram ao escritório de Sílvio em uma moto, se passando por cliente, e dispararam contra ele. Cezinha, que estava próximo ao local do crime, teria visto o irmão morto e tentou correr. Mesmo assim, acabou baleado. Ele ainda foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu. O vizinho que prestou socorro à vítima ainda teve o carro alvejado.
Fonte: Correio


