quarta-feira, 01 jul 2026

Operação derruba 40 casas em Arembepe

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Uma operação contra a grilagem de terras dentro de uma de área de 5 milhões de m² (o equivalente a 500 campos de futebol), no Litoral Norte, terminou com cerca de 30 pessoas conduzidas à delegacia, outras quatro presas e mais 40 imóveis irregulares demolidos, na manhã desta terça(7).

arembepe

 

As terras, que segundo a Prefeitura de Camaçari seriam invadidas por 2 mil pessoas, fica em uma Área de Proteção Ambiental (APA) e tem diversos pontos considerados Área de Proteção Permanente (APP). De acordo com a delegada Maria Danielle Monteiro, titular da 26ª Delegacia (Abrantes), os presos vão responder por crime ambiental, loteamento clandestino e organização criminosa.

 

Dezenas de invasores foram ouvidos e liberados. Apenas quatro pessoas apontadas como lideranças ficaram detidas. “Entre eles, indicado como um dos líderes principais, Osvaldo Reis dos Santos, o Careca”, revela a delegada. Além da Polícia Civil, que foi motivada por ofício do Ministério Público para que investigasse as invasões, a operação envolveu a própria prefeitura local e a Corregedoria da Polícia Militar.

 

A Operação Caratingui (nome da antiga fazenda onde estão as terras) contou com 30 pessoas (policiais e agentes da prefeitura) e 10 viaturas. Enquanto a prefeitura cuidou da demolição das casas, a Corregedoria da PM iniciou investigação sobre as denúncias de envolvimento de policiais nas invasões. Em nota, o órgão informou que “não foi constatada a presença de policiais militares, entre as pessoas encontradas no terreno”.
Abastados
As denúncias também apontavam para a presença de invasores ricos nos terrenos. Seria gente com dinheiro, empresários, autoridades e até políticos. “Mas depois das matérias de vocês e de nossas operações, eles sumiram mais. Ali tem gente de todas as classes sociais e os mais pobres servem de massa de manobra”, disse um capitão da PM que comanda as operações e prefere não ser identificado.

 

“Fala-se de pessoas de posse. Fala-se que elas chegam com seus carrões e loteiam a área. Ao menos hoje não as encontramos. Mas não quer dizer que elas não participem”, citou a delegada.

 

Nos depoimentos dos presos, eles confirmam que a ação é organizada. “Eles citam os orquestradores. Mas não podemos falar para não atrapalhar as investigações”, explica Maria Danielle.

 

O advogado dos quatro presos disse que eles invadiram as terras por necessidade. “O objetivo é morar no local. Eles não têm onde morar”, declarou Jackson Santa Bárbara. “Vamos entrar com o pedido para que sejam postos em liberdade visto que, casos como esse, existem milhões. A priori, vamos entrar com um pedido de arbitramento de fiança”, emendou.

 

O advogado informou ainda que as áreas invadidas pelos seus clientes já estavam devastadas por desmatamento e queimadas. “Eles já encontraram a área devastada e aí entraram para ver se dava certo, mas nada que eles estivessem feito como crime. Não fizeram com conhecimento do que estava fazendo. Fizeram por necessidade”, justificou.

 

Segundo um dos representantes dos proprietários, Mário Araújo, era por volta das 8h30 quando o oficial de Justiça começou a entregar aos invasores a intimação para deixarem o espaço. Houve discussões e o clima ficou ainda mais acirrado depois que os investigadores da Polícia Civil chegaram para cumprir a ação contra o desrespeito às leis ambientais.

 

“A ação da polícia não foi em conjunto com a do oficial de Justiça. Acredito que foi uma coincidência eles chegarem quando o oficial estava entregando as intimações. Eles estavam fazendo construções em áreas proibidas, desmatando e retirando areia das dunas. Alguns resistiram e foram retirados à força”, contou.

 

De acordo com Araújo, depois de serem intimados pela Justiça, os invasores têm até 15 dias para deixarem o local e a ação não cabe recurso. Ele comemorou a medida.

 

Segundo a delegada, a área alvo da operação é apenas uma das dezenas de invasões de uma grande área tomada. As terras, que ficam na APA do Rio Capivara, são de quatro grupos diferentes, três deles de empresários: o grupo Fernandez Plaza, o grupo português Liz Construções e o EMES, de uma família de investidores de Sergipe. Cada um detém cerca de 1 milhão de m² das terras. O restante é de uma família nativa de Arembepe, que herdou as terras do bisavô.

Fonte: Correio

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