Nove anos depois de estrear e se transformar numa das franquias de maior sucesso da história do cinema brasileiro, com 8,4 milhões de espectadores em dois longas-metragens, De Pernas pro Ar chega ao terceiro filme.

Renovando a saga humorística da personagem Alice Segretto (Ingrid Guimarães), empresária vitoriosa de produtos eróticos femininos, De Pernas pro Ar 3 é uma comédia popular bem cuidada e acima da média do que é feito no gênero nos últimos tempos no país.
Do roteiro (Marcelo Saback, Renê Belmonte e Ingrid) à direção de Júlia Rezende (Meu Passado Me Condena, Ponte Aérea), passando pelo elenco, fotografia (Dante Belluti) e locações, o filme mescla humor, romance e sexo de maneira hábil e moderna – e sem apelar para piadas infames.
Mulher de negócios famosa mundialmente com os produtos da Sexy Delícia, Alice agora viaja pelas grandes capitais do planeta e não tem tempo para acompanhar o crescimento dos filhos, bem como para dar a devida atenção ao marido, João (Bruno Garcia).
Para piorar (ou não), Alice Segretto enfrenta um choque de geração com uma empresária jovem e sintonizada com novas tecnologias, a adversária Leona (Samya Pascotto), que vai namorar justamente o seu filho Paulinho (Eduardo Melo).

Cauã Reymond – “Não renegando os dois filmes anteriores (risos), claro, pois Alice é uma personagem fundamental na minha carreira, esse agora é o melhor dos três. Falamos de coisas atuais como feminismo, sororidade, equilibrar sucesso profissional e família, e ainda sobre o mundo virtual”, afirma Ingrid, 46 anos.
No primeiro filme, lembra a artista goiana, falar de vibrador ainda fazia sentido numa comédia. Hoje, com a popularização do vibrador, óculos de realidade virtual são mais interessantes e adequados como brinquedinhos sexuais.
Numa das melhores sequências do longa-metragem, Alice transa virtualmente com o galã Cauã Reymond, que faz uma participação especial divertida e luxuosa. “A ideia da participação de Cauã foi minha. É um aplicativo dentro dos óculos que permite que a pessoa escolha com quem quer transar. Quis alguém que estivesse no imaginário das mulheres como alguém gostoso, um objeto de desejo. Ele amou brincar com a própria imagem dele. Adoro a sequência”, diz.

Protagonismo – Porém, diferentemente dos filmes anteriores, a venda dos produtos da Sexy Delícia não é o assunto principal do roteiro. É apenas um pano de fundo para questões feministas e familiares.
O olhar da cineasta Júlia Rezende, substituindo Roberto Santucci na direção da franquia, e a presença da própria Ingrid como corroteirista, foram fundamentais para o bom resultado.
“Essa maior presença de mulheres era importante para o que queríamos mostrar, e participar do roteiro reforçou a minha ligação com a personagem. A Alice sou eu, eu sou a Alice. Até a minha filha se chama Clara, o mesmo nome da filha da personagem” (risos), explica.
Fonte: Correio 24h

