terça-feira, 26 maio 2026

Ângela Cheirosa, conta como se libertou da depressão com a dança do ventre.

- Publicidade -

O famoso ditado popular “quem dança seus males espanta” faz todo o sentido no combate à depressão. A dança do ventre, por exemplo, conduz a mulher pelo caminho do autoconhecimento, ampliando assim a consciência de si mesma e consequentemente contribuindo com a elevação da autoestima e da confiança. Traz também diversos benefícios à saúde, por trabalhar todas as partes do corpo, da ponta dos pés ao topo da cabeça, o que exige um bom trabalho postural e de equilíbrio.

 

 

Foi através da dança do ventre que a dançarina e professora Ângela Cheirosa, 44 anos, mãe de um jovem de 18 anos, superou um estágio avançado de depressão após a morte do marido em um grave acidente.

Atualmente, Ângela lidera um importante projeto social denominado, Flor de Lótus, que atua em comunidades carentes. O objetivo é levar a dança do ventre para um número cada vez maior de mulheres. “Se engana quem pensa que a dança do ventre é procurada apenas por mulheres mais novas, com corpos esculturais. Eu procuro levar a minha história como exemplo e ajudar as mulheres a saírem do estágio depressivo e a entenderem que elas também podem se libertar e ser feliz com a dança. Os resultados são lindos e me emociona a cada dia”, conta Ângela.

De acordo com a professora, esse tipo de informação tem comoçado a chegar à sociedade e, tem sido vez mais comum, à procura da dança como aliada para ajudar na cura da doença.

Em um mergulho pela história de Ângela Cheirosa, você pode conhecer os benefícios da dança do ventre e como a prática pode ajudar no seu equilíbrio físico e mental. Confira entrevista!

NM – A dança do ventre surgiu em sua vida após um estágio depressivo. Conta para a gente essa história?

AC – Sim. A dança do ventre surgiu em minha vida em um momento muito difícil. Eu estava magoada, decepciona com a vida, mas a palavra deprimida surgiu em minha vida até eu descobrir a cura. Até descobrir a dança do ventre eu não sabia que estava com depressão. Eu acredito que depressão é o mal do século, as pessoas sofrem muito e não se dão conta de que sofrimento é esse. Foi o que aconteceu comigo.

Eu fiquei viúva com 30 anos, passei três anos depressiva, mas não tinha noção disso. Um determinado dia descobrir a dança do ventre em uma aula de yoga. Foi amor à primeira vista, quando a primeira moedinha balançou (risos), meu coração balançou junto. De lá para cá nunca mais parei.

 

NM – A gente percebe que você é apaixonada pelo que faz e literalmente vive a dança. Sempre foi assim?

AC – A principio, quando comecei a dançar foi com o intuito de me curar. De cara percebi que a atividade estava me trazendo de volta à vida. Me despertou a ser mulher, me trouxe de volta ao pensar em mim no meu corpo. De uma forma muito democrática, a forma como me foi apresentada a dança do ventre, me fez perceber que além de ser uma arte, uma atividade física, é extremamente curativa. A partir daí, eu entendi que servia para mim e servia para qualquer mulher.

NM – A dança do ventre sempre foi vista como uma arte voltada para mulheres com corpos esculturais. Em algum momento você teve receio de se jogar na dança?

AC – Não. Apesar do preconceito que existe sim, do “padrão” que foi pré-estabelecido pela mídia, uma estética de figurino de corpo, de cabelo, de unha de tudo. Mas isso não foi transferido para mim. A partir do momento que eu me entendi como apta a praticar e que eu poderia fazer e fazer bem feito e decidir dizer aos quatro cantos. “Gente, não é como está sendo posto. É para todo mundo sim! É para qualquer mulher”. É por isso que Camaçari e o Brasil inteiro têm olhado para a gente de uma forma muito carinhosa, e o meu corpão, meu cabelo, minha cor contribuiu muito para isso.

NM – A dança do ventre entrou de vez na sua vida e se tornou profissão. O projeto cresceu e foi parar até na rede globo, no programa de Fátima Bernardes. Você se sente totalmente realizada?

AC – Para você ter uma ideia, eu era uma mulher de 50kg e com a depressão fui para 100 kg, então eu já não conhecia meu corpo. Me encontrei totalmente, se tornou minha morada. É onde eu habito. Não despertou em mim só a questão estética, mas o se amar, se querer bem e aí eu senti a necessidade de multiplicar tudo que eu tinha aprendido, tudo que eu tinha sentido.

Sou realiada por levar para várias outras mulheres essa experiência, por meio do projeto Flor de Lótus e por ter tido a oportunidade de levar essa mensagem para todo o Brasil pelo programa de Fátima Bernardes.

Também tenho um selo de qualidade de dança oriental que me habilita a da aula em qualquer lugar, a participar dos maiores eventos do país. A mídia nacional me descobriu, as professoras nacionais, o que nos deixa muito feliz e realizada.

NM – E depois da Rede Globo? O sucesso aumentou?

AC – Foi uma revolução. Apesar de muita gente não ter conhecimento, milhares de mulheres no Brasil praticam dança do ventre. É um universo.
Eu escrevi para a globo de madrugada, no dia seguinte pela manhã já estavam me ligando. Uma semana depois eu já estava lá ao vivo. Foi incrível. Eu não sabia que era a pauta principal e quando cheguei lá todos já sabiam da nosso história. Fui recebida com muita dignidade e carinho.
NM – Como o Flor de Lótus atua?

AC – É projeto social que está no sexto ano. Começamos no bairro Buri Satuba. Trata-se de um projeto que leva para as mulheres empoderamento por meio da dança do ventre. Nós levamos dança, autoestima, amizade, autoconhecimento, autoaceitação. Não adianta você querer que outro de aceite, que o outro te goste se você não faz isso para você mesma. É dançar com consciência. É levar arte, cultura e informação para onde naturalmente não chegaria.

NM – Hoje você consegue alcançar quantas comunidades?

AC – Atualmente estamos no Buri Satuba, na Gleba E e no Phoc. São mulheres em situação de vulnerabilidade, violência, em situações muito delicadas. O grande diferencial é que o projeto vai até pessoas que precisam, que de forma geral não ateriam acesso. Mas quando chegam lá percebem que é para todos e se empoderam, se amam e aprendem a dançar e com a dança vêm às amizades, os benefícios físicos psicológicos.

NM – O que trava o projeto? Seria possível expandir?

AC – O que trava é que o projeto é mantido exclusivamente por mim. Temos parceria com as associações de moradores, mas também não é uma situação fácil. A gente precisa de apoio governamental ou privado para que assim pudéssemos levar para um número maior de comunidades.

Falta na verdade um investimento para estruturar de forma mais consistente o projeto. A gente faz a nossa parte, mas tudo de forma limitada.
NM – E esse nome lindo, Ângela Cheirosa, como surgiu?

AC – Essa é uma história muito legal. A verdade é que era um apelido carinhoso. Eu chamava meu esposo de cheiroso e ela me chamava de cheirosa. Os amigos foram entrando na jogada e começaram a me chamar de cheirosa também. Quando entrei nas redes sociais acabei adotando o Ângela Cheirosa e se transformou em nome artístico.

NM – A gente percebe que você é uma pessoa que se preocupa muito com o contexto social. De onde vem essa força?

AC – Acredito que esteja relacionada com a minha religião. Sou espírita e e segundo o espiritismo fora da caridade não há salvação. Todas as vezes que eu olho para alguém e que eu tenho a oportunidade de ajudar, penso que na verdade eu estou sendo ajudada. É minha oportunidade de dá um paço a mais perto de Deus. É uma oportunidade de me melhorar em quanto ser humano.

NM – Onde você quer chegar com a dança do ventre?

AC – Eu quero poder falar sobre a dança do ventre de uma forma que todos entendam. Quero poder transformar Camaçari em um polo da dança do ventre. Acredito a dança do ventre nas escolas públicas, nos eventos culturais da cidade de forma permanente.
Para ajudar o projeto Flor de Lótus entre em contato com Ângela Cheirosa pelo telefone: 71 9 8862 – 1844

Por Fabiana Monte

Compartilhar:

Destaques

Mais Notícias
Notícias

Taxa do medo: comerciantes denunciam cobrança ilegal de até R$ 400 por semana

Nem aluguel, nem imposto: o valor exigido pelo tráfico...

Fiscalização encontra problemas sanitários em canteiro da BYD em Camaçari

Banheiros químicos em condições precárias, alimentação transportada sem refrigeração,...

Antes de morrer, Gabriel Ganley já havia relato mal-estar e ‘confusão mental’ após uso de insulina

A investigação sobre a morte do fisiculturista e influenciador digital...