segunda-feira, 14 set 2026

‘Ao invés de proteger, ela é uma criminosa’, diz filha de homem resgatado de cárcere privado em Salvador; suspeita, PM está presa

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Caso aconteceu na noite do dia 23 de março, no bairro de Brotas, na capital baiana. Segundo a Polícia Militar, tenente segue presa no Batalhão da corporação.

homem de 59 anos, que foi resgatado de cárcere privado e denunciou ter sofrido agressões da patroa, uma tenente da Polícia Militar, que atua em Salvador, e a filha dele prestaram depoimento na Auditoria Fiscal do Trabalho, nesta quarta-feira (29).

O caso aconteceu na noite do dia 23 de março, no bairro de Brotas, na capital baiana. Segundo a Polícia Militar, a tenente segue presa no Batalhão da corporação.

“Ao invés de proteger, ela é uma criminosa, que machuca todos, inclusive inocentes e incapazes. Eu gostaria de fazer um apelo para as autoridades, por favor, eu imploro pela vida da minha família, não soltem essa mulher, não a coloquem para trabalhar”, disse a filha do homem, que preferiu não revelar a identidade.

Segundo a vítima, as agressões começaram há um ano e cinco meses. No corpo do trabalhador, que, com medo, preferiu não revelar a identidade, estão marcas de lesões nas costas, na cabeça e orelha.

“Pensei até em tirar minha vida, entendeu? Porque não estava mais aguentando aquela vida de tortura”, disse.

Conforme relatou o homem, ele era contratado para cuidar da mãe da patroa, que também mora no imóvel e é acamada. Desde janeiro, no entanto, não recebeu salários para realizar as atividades.

O trabalhador também denunciou que tinha o celular confiscado durante o expediente.

A delegada Monica Piropo, responsável pelas investigações, afirmou que a mulher chegou na delegacia sem algemas e ficou à disposição da Justiça. Uma corrente usada para agredir homem foi apreendida.

Conforme denúncia da vítima, as agressões aconteciam toda vez que a patroa ficava insatisfeita com alguma atividade realizada por ele.

“Às vezes dava murro no rosto. Além do murro, pegava a corrente quase 2h da manhã e começava a jogar. Me batia na cabeça com cadeado e caia meio mundo de sangue”, contou.

“Ela usava toda a força, não era maneirado. Era com toda raiva, jogava toda a fúria e lançava naquela corrente”, acrescentou o trabalhador.

O homem afirmou que, por instinto, tentava se proteger, segurando as correntes. O ato provocava ainda mais raiva na mulher, que aumentava a intensidade da força.

“Ficava mais neurótica, mais furiosa ainda. Era uma pessoa que ficava incontrolável”, relatou.

De acordo com a denúncia da vítima, que prestou depoimento na Central de Flagrantes, ainda na noite de quinta, ele conheceu a patroa há cerca de 10 anos. Durante esse período, sempre cuidou da mãe dela, mas voltava para casa após o expediente.

A situação mudou quando ela pediu para que o homem permanecesse no trabalho, cuidando da mãe dela, para que ela conseguisse fazer cursos.

O acerto inicial era que ele ficasse no imóvel por seis dias e tivesse um de folga. Os familiares do trabalhador, no entanto, contam que a vítima deixou de dar notícias e não retornou para casa nos últimos 10 dias.

Com isso, foram na casa em que ele trabalhava e descobriram as agressões.

“Vi as escoriações, orelha inchada e diversos ferimentos no corpo. Foi um momento muito complicado, pesado, né? Ele chorando, com diversos ferimentos e a filha vendo que ele estava com metade do peso, entrou em desespero, chorou”, afirmou um familiar, que também preferiu não ter a identidade revelada.

O advogado do trabalhador, Matheus Freitas, informou que existia um livro com atividades que a vítima deveria cumprir.

“A conduta criminosa pode ser enquadrada na redução condicional ao escravo, cárcere privado e tortura, além das lesões corporais, que são crimes de competência do Ministério Público”, explicou.

Apesar da prisão da suspeita, a filha do trabalhador revelou que teme pelo futuro da família.

“Estou muito feliz porque ele [o pai] está aqui comigo, mas não estou tranquila. Essa mulher é uma ameaça a vida de meu pai, a minha, a de minha irmã, de minha mãe”, desabafou.

“Ela tirou a cópia da chave da nossa casa, que pegou na penca de chave dele. Tem fotos minha, do meu irmão e fica dizendo que vai matar a gente”.

 MPT investiga

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito civil para apurar os aspectos trabalhistas do caso. Conforme o órgão, nos próximos dias, deverão ser solicitadas informações à polícia.

A partir daí, devem ser convocadas testemunhas, vítima e empregadora para esclarecimentos. Só após a análise dos elementos, será avaliado o enquadramento do caso como sendo trabalho análogo à escravidão.

Fonte: G1

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