quarta-feira, 10 jun 2026

Bahia enfrenta desafio de atrair novos investimentos industriais

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O panorama é, sobretudo, desafiador diante da urgência de neoindustrializar o Brasil e dos avanços tecnológicos nas atividades produtivas e administrativas do setor industrial. Dentro deste contexto, a indústria na Bahia – maior da região Nordeste e sétima posição na indústria de transformação do país – exerce papel relevante ao continuar atraindo investimentos no segmento de geração de energias eólica e solar, mineração, automotivo e produção de hidrogênio verde. Em contrapartida, o Estado tem apresentado baixa atratividade para novos empenhos, na avaliação da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) que, nesta quinta-feira, 25 de maio, celebra o Dia da Indústria e comemora mais de sete décadas de atuação com a campanha “75 anos – nosso presente continua sendo o futuro”.

A indústria na Bahia, conforme dados da Fieb, representa mais da metade da arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Estado e emprega 437 mil trabalhadores com carteira assinada, gerando uma massa salarial anual superior a R$ 10 bilhões. O parque industrial baiano responde por 39,8% do Valor se Transformação Industrial (VTI) do território nordestino, correspondendo a um montante superior a R$ 52,6 bilhões, ou seja, maior que a soma do que é produzido pelas indústrias de Pernambuco e Ceará, que, juntas, alcançam R$ 48,2 bilhões.  No âmbito nacional, a economia brasileira perdeu o ritmo de crescimento desde março de 2022 ao alcançar taxas anuais de crescimento de 4,9% em fevereiro de 2022, encerrando o ano com crescimento de 2,9% e projeção para 2023 de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e da produção.

Considerando o horizonte de médio prazo, o presidente da Fieb, Ricardo Alban, ressalta que, na Bahia, a grande expectativa em relação à produção de hidrogênio verde é o início e a conclusão das operações da primeira fábrica de Hidrogênio Verde do Brasil (Unigel). Também em termos setoriais, a entidade avalia que a Construção Civil, após ter vivido um bom momento em 2022, deve desacelerar este ano, por conta dos juros altos. Na Indústria de Transformação se destaca a área de Refino, que deve continuar em alta. A Petroquímica deve ter estabilidade na produção, uma vez que não há fato significativo no cenário interno e os preços internacionais estão estáveis nos últimos meses. Um ponto de atenção, ainda segundo a federação, é a questão do preço do gás natural.

Cenário de incertezas

Ricardo Alban considera que o cenário do setor industrial baiano e brasileiro está coberto de incertezas. “Este ano, deveremos ter um nível baixo de crescimento econômico no mundo, como consequência dos desarranjos da pandemia e, sobretudo, dos efeitos da guerra na Ucrânia. No contexto interno, também enxergamos uma série de dificuldades por parte do setor público no âmbito fiscal e na construção de políticas. Adicionalmente, enfrentamos uma política de aperto monetário, com elevadas taxas de juros, que encarecem o crédito e inibem a economia”.

Frente à longa crise de competitividade em nível internacional, a atividade industrial, afirma o presidente da Fieb, tem se comportado “incapaz de compensar o que se costuma chamar de Custo Brasil”, que se refere a questões como sistema tributário ineficiente, caro e injusto; baixo investimento em infraestrutura e oferta de mão-de-obra qualificada; energia cara e insegurança jurídica, entre outras. “Com isso, ano a ano a participação do setor industrial na economia brasileira e baiana cai, configurando o que entendemos ser um processo acelerado e precoce de desindustrialização, que precisamos encontrar caminhos de reverter sob pena de nos tornarmos um mero país exportador de bens primários, ou seja, agrícolas e minerais”.

O gerente de Estudos Técnicos da Fieb, Ricardo Kawabe, reforça que a economia brasileira vive um momento desafiador, com uma série de dificuldades a superar. “O mundo vive, hoje, um momento de restrição, com baixo crescimento nas principais economias, reduzindo o comércio internacional e os preços dos bens tradable (commodities). O mercado interno também está em desaceleração desde o segundo semestre de 2022, com expressiva influência das taxas de juros elevadas que encarecem o crédito e inibem o consumo. Desse modo, as perspectivas para o setor industrial, este ano, são de estabilidade ou baixo crescimento”.

Para Kawabe, o Brasil precisa recolocar a indústria na sua estratégia de desenvolvimento, percebendo que “é quase impossível” alcançar níveis elevados de desenvolvimento econômico e social sem uma indústria forte, que reduza a dependência do país por bens importados. “As dificuldades vividas na pandemia foram ilustrativas nesse sentido. Um país do tamanho do Brasil não pode depender tanto do fornecimento externo em coisas como medicamentos, equipamentos médicos, produtos de higiene, fertilizantes e tantas demandas que a indústria nacional poderia atender”.

Os maiores desafios enfrentados pela Indústria, completa o especialista, passam pela superação dos componentes do citado Custo Brasil, bem como pelo enfrentamento dessas questões externas estruturais internas. “As empresas industriais precisam se ajustar às tendências globais e investir, por exemplo, na inovação e na renovação dos portifólios, na descarbonização de processos e produtos, apostando, por exemplo, na Indústria 4.0”, opina.

Fonte: Portal A Tarde

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