Dor de barriga, dor de cabeça, náuseas e mal-estar pouco antes de sair para a escola podem ser sinais de que algo não vai bem com a criança. Embora esses sintomas tenham diferentes causas, nem sempre estão relacionados exclusivamente a problemas físicos. Em algumas situações, o desconforto pode estar associado à ansiedade, ao estresse ou a dificuldades emocionais vivenciadas no ambiente escolar.
A pediatra Mariana Bolonhezi explica que situações como a proximidade de uma prova, conflitos com colegas, dificuldades de aprendizagem, adaptação à escola ou medo de se separar dos pais podem provocar sofrimento emocional e repercutir no corpo. No entanto, é fundamental investigar as queixas antes de atribuí-las às emoções.
“Quando uma criança apresenta dores recorrentes, especialmente em situações específicas, como antes de ir à escola, é importante investigar as possíveis causas físicas e observar o contexto em que esse desconforto aparece. O fato de existir uma possível relação com as emoções não significa que a queixa deva ser minimizada ou que a avaliação médica possa ser dispensada”, explica Mariana.
A psiquiatra Bianca Bolonhezi destaca que as crianças nem sempre conseguem compreender ou expressar em palavras o que estão sentindo. Por isso, o sofrimento emocional pode aparecer de outras formas, inclusive por meio de sintomas físicos. “Em alguns casos, o sofrimento emocional aparece por meio de sintomas físicos, irritabilidade, choro ou resistência a determinadas situações. Cabe aos adultos acolher essas manifestações, escutar sem julgamentos e buscar compreender o que pode estar por trás delas”, afirma Bianca.
Como os pais devem agir?
A reação dos adultos diante das queixas pode influenciar a maneira como a criança lida com o desconforto. Minimizar a dor com frases como “isso é frescura” ou pressioná-la a seguir a rotina sem escutar o que tem a dizer pode dificultar a identificação do problema.
Por outro lado, conversar com calma, fazer perguntas abertas e observar em quais situações os sintomas aparecem são atitudes que ajudam a compreender o que está acontecendo. Também é importante prestar atenção à frequência e à intensidade das queixas. Mudanças no sono, no apetite, no humor e na convivência escolar podem fornecer informações relevantes sobre o bem-estar da criança.
Quando é necessário procurar ajuda?
Sintomas persistentes, que interferem na rotina ou aparecem acompanhados de outros sinais de sofrimento, precisam de avaliação profissional. Além de dores de barriga, náuseas e dores de cabeça, alterações urinárias, como urgência para urinar, ardência e aumento da frequência urinária, também merecem atenção. Esses sinais podem estar relacionados a condições clínicas que precisam ser investigadas, embora alguns sintomas urinários também possam ocorrer em situações de sofrimento emocional.
A avaliação pediátrica é importante para investigar possíveis causas físicas e compreender o histórico da criança. Quando necessário, o acompanhamento pode envolver profissionais de psicologia e psiquiatria, permitindo uma análise mais ampla dos fatores associados ao desconforto.
As especialistas reforçam que reconhecer a possível relação entre emoções e sintomas físicos não significa considerar a dor menos importante. O cuidado deve levar em conta tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional, com acolhimento e atenção às necessidades de cada criança.
Fonte: Correio da Bahia

