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A força delas!
Por Fabiana Monte
Empoderamento. Nos últimos tempos, é muito comum ouvirmos falar essa palavra, seja nas redes sociais, em reportagens na televisão ou mídia impressa, palestras e até em conversas de amigos.
Apesar de moderna, a verdade é que a mulher já luta por esse tal empoderamento desde 1857, quando mais de 100 operárias morreram no incêndio da Triangle Shirtwaist, em Nova York, acontecimento que deu origem 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
De lá para cá, muitas conquistas foram alcançadas e, atualmente, a mulher tem experimentado um acúmulo de papéis muito maior do que imaginava que iria viver após sua liberação na sociedade moderna. Desde que entramos para valer no mercado de trabalho, enfrentamos os desafios da profissionalização com o acúmulo de mais e mais funções dentro e fora da família.
Resultado: trabalhamos mais do que o homem. Continuamos à frente da educação dos filhos, afazeres domésticos, do papel de filha e cidadã. O fato é que a mulher faz e faz muito, ao ponto que os homens não conseguem cumprir sua parte na mesma medida.
Empoderamento& Autoestima
O empoderamento da mulher está totalmente ligado a autoestima, afinal de contas, a autoestima, nada mais é, que o apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios atos e pensamentos. Autoestima define quem somos, perante nós mesmos, e como participaremos do mundo que nos rodeia.
Se uma mulher tem baixa estima, por exemplo, espera pouco de si e dos outros.
Ela pensa que primeiro deve servir ao outro, e se coloca por último na busca de satisfação de suas necessidades. “Eu vivia com um parceiro que não me respeitava, por não entender a importância de que o respeito e amor próprio faria para mim. Hoje trabalho, estou mais bonita e já penso em construir um novo relacionamento”, conta Maria, uma ex-dona de casa que encontrou na profissionalização a chance de tomar conta da própria vida.
“A pior opressão é a que vem de dentro do ser humano. É aquela que a própria pessoa se impõe, após ter sido oprimida pelo outro durante seu processo de desenvolvimento. É a opressão que a pessoa coloca para dentro e depois atua policiando a si mesma, desconhecendo que interiorizou a repressão”, explica a psicóloga Rosana Ferrari.
Na opinião da profissional, a mulher interiorizou a repressão e seu processo de inferiorização é histórico. O resultado é sua baixa autoestima, que a coloca como servidora do outro e a faz sabotar seu potencial.
Cuidadora de lar
Dentre outras vertentes, empoderamento feminino significa a mulher apropriar-se de seu direito de existir na sociedade. Partindo desse pressuposto, não adianta conquistar poder na sociedade, se a mulher continuar a ser a única cuidadora dentro da família e interiorizar esta função. “Para empoderar-se, ela precisa reconhecer-se neste direito. Sua estima é a base de tudo. Luta por seus direitos quem os reconhece, mas acima de tudo quem se reconhece como digno deles”, ressalta Ferrari.
Enfim, o empoderamento da mulher passa por vários caminhos: na sociedade, pelo conhecimento dos direitos da mulher, pela sua inclusão social, instrução, profissionalização, consciência da cidadania.
No universo da família, o empoderamento passa pela justa divisão de responsabilidades com o cônjuge (financeira e doméstica), pela educação igualitária dos meninos e meninas, fazendo que ambos sejam responsáveis pelas tarefas domésticas e pela preocupação com a família, tanto quanto com a subsistência e a profissionalização.
Recriar uma identidade de indivíduo é ser capaz, portanto:
De respeitar-se e ser respeitada,
De valorizar-se e ser valorizada,
De cuidar sem ser servil,
De cooperar sem ser submissa.



