segunda-feira, 26 out 2026

Falta de emprego favorece o comércio irregular no centro de Camaçari

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Santa Helena

Quem circula diariamente pelo centro da cidade sede do maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, já deve ter percebido que está bem mais complicado caminhar pelas calçadas. Em pleno horário comercial, é preciso disputar espaço com ambulantes, que oferecem todos os tipos de produtos, ultimamente o destaque tem sido para os hortigranjeiros.

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A ação tem prejudicado não só a passagem dos pedestres, mas também começa a atrapalhar a circulação de motoristas e motociclistas, tornando tornando a situação mais caótica. “A cidade já tem um trânsito complicado, com esses carrinhos espalhados de forma desordenada a coisa fica fora de controle”, aborda o operador de máquinas, José Carlos, 36 anos.

Quem também não está nada satisfeito com a falta de ordenamento é o lojista da região. Além da crise financeira que assola o país e que prejudica diretamente o comércio, a carência de estrutura e planejamento urbano em Camaçari tem atraído ainda mais prejuízos. “Nós temos cinco lojas no centro do município e percebemos que atitudes imediatistas precisam ser tomadas”, avalia Vinícius, gerente das Lojas Planeta, que ainda acrescenta: “a gente sabe que as pessoas precisam trabalhar e respeitamos isso, mas da forma como está o comércio tem sido muito prejudicado, pois afugenta ainda mais o cliente, devido à falta de tranquilidade para transitar, problemas com estacionamento, dentre outras situações”, destaca.

Enquanto a feira livre parece se multiplicar pelas ruas do centro, a fiscalização ocorre, porém sem êxito. As ações têm mais parecido um verdadeiro jogo de gato e rato.

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De acordo com o subsecretário da Secretaria de Ordem Pública e Sustentabilidade, Eraldo Reis, a administração tem tido dificuldade de conduzir o problema. “Muita gente defende a prática, afirmam que é melhor estarem por ali do que roubando e isso acaba apoderando os ambulantes”.

Segundo Reis, a Prefeitura tem tentado fazer um trabalho educativo, com o objetivo de conscientizar a própria população. “Estamos trabalhando em um projeto de fiscalização unificada, a fim de obtermos melhores resultados”, completa o subsecretário.

O outro lado da moeda

CD’s e DVD’s, guarda-chuva, pipoca, milho, água de coco, frutas, verduras. São muitos produtos oferecidos nas ruas pelos ambulantes. Em Camaçari, nos últimos anos, tem crescido o número de pessoas na atividade e elas ficam por todo canto, sinaleiras, ponto de ônibus, praças públicas e calçadas.

Essas pessoas passam por dificuldades durante o dia a dia. Para conhecer algumas histórias, a nossa reportagem transitou pelo centro afim de conversar com os ambulantes. Alguns não quiseram falar com nossa equipe, por receio, ou simplesmente falta de interesse, já outros se dispuseram a fazer comentários.

Muitos aderem a esse tipo de trabalho por conta do desemprego. “Cada um vive como pode, se não tem trabalho a gente vem para as ruas fazer alguma coisa. O que não dá é ficar sem colocar comida em casa”, disse Moisés, que trabalha vendendo verduras pelas ruas do comércio. Ele comentou que já foi funcionário de dois supermercados, mas que no momento não está encontrando emprego.

Um outro jovem que conversou com a nossa reportagem disse que os dias têm sido humilhantes, mas já estão acostumados a viver na adrenalina. “Os caras da Prefeitura chegam e não respeitam ninguém, derramam mercadorias, apreendem na maior grosseria, mas a gente está aí. Fazer o quê?”, indagou.

Não faz muito tempo que o rapaz começou a trabalhar vendendo banana na sinaleira. Encontrou na atividade uma maneira de ganhar a vida. “Minha mãe é diarista e não é sempre que arruma trabalho, não tenho pai e os meus irmãos são pequenos”, acrescentou o jovem de 19 anos.

Concorrência desleal

Em economia, concorrência corresponde à situação de lucro de um mercado em que os diferentes produtores/vendedores de um determinado bem e/ou serviço atuam de forma independente face aos compradores/consumidores, com vista a alcançar um objetivo para o seu negócio – lucros, vendas, ou quota de mercado – utilizando diferentes instrumentos, tais como os preços, a qualidade dos produtos, os serviços após venda.

O problema do Centro Comercial de Camaçari, é que a concorrência tem sido considerada desleal por muitos permissionários. Em uma conversa com alguns, fomos informados que as mercadorias comercializados no centro, no entorno da feira, tem sido passada pelo próprio feirante. “O problema já chegou ao extremo e se transformou em uma verdadeira falta de respeito.

Nós estamos passando por um arrocho aqui dentro, enquanto outros enviam a mercadoria para vender lá fora”, comentou uma feirante que trabalha no Centro Comercial de Camaçari há 30 anos.

Outro permissionário, que também preferiu não se identificar, disse que já está pensando em desistir do negócio e procurar uma segunda atividade. “Antes eu iria para o Ceasa três vezes na semana, agora vou uma e ainda jogo mercadoria fora. A situação está insustentável e estão fazendo vista grossa”, desabafa o feirante.

Por: Fabiana Monte

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