Sentir-se constantemente preocupado com as finanças pode afetar muito mais do que o humor: também pode refletir diretamente na balança. A chamada ansiedade financeira, cada vez mais comum entre jovens e adultos, é um tipo de estresse crônico que pode alterar o comportamento alimentar, atrapalhar o metabolismo e contribuir para o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.
- Comer para aliviar a pressão: Um dos efeitos mais frequentes da ansiedade intensa é o aumento da compulsão alimentar. Em vez de ser apenas fome, o impulso de comer vira uma forma de tentar lidar com emoções difíceis. Segundo a psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, esse mecanismo pode se tornar um ciclo vicioso: “a pessoa come para aliviar a angústia, mas depois sente culpa, o que só reforça a ansiedade”.
- Cortisol: O estresse financeiro constante eleva os níveis de cortisol, o principal hormônio do estresse. Em excesso, ele pode aumentar o apetite, incentivar a busca por alimentos calóricos e ainda dificultar a queima de gordura, especialmente na barriga. De acordo com o endocrinologista Dr. Leonardo Sebba, “situações como dívidas ou desemprego fazem o corpo entrar em modo de alerta, o que prejudica o metabolismo e favorece o ganho de peso”.
- Sono ruim, pouca atividade e más escolhas: Além do apetite alterado, a ansiedade afeta o sono, diminui a disposição para exercícios e pode levar a uma alimentação menos nutritiva com mais industrializados e menos alimentos frescos. Esses três fatores juntos criam um cenário perfeito para o aumento de peso.
Como lidar com o problema sem recorrer à comida?
Para evitar que a ansiedade financeira afete sua saúde física e emocional, vale apostar em algumas estratégias:
- Organização financeira: montar um planejamento simples já ajuda a reduzir a sensação de descontrole.
- Apoio emocional: dividir o peso das preocupações com pessoas de confiança ou buscar ajuda profissional pode aliviar a carga.
- Hábitos saudáveis: praticar exercícios, dormir bem e manter uma alimentação equilibrada são formas de cuidar do corpo e da mente.
- Fuja das compensações: em vez de recorrer à comida, tente substituir por atividades prazerosas e relaxantes, como música, leitura ou meditação.
A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, especialista em transtornos de comportamento e autora de livros como Mentes Ansiosas e Mentes Insaciáveis, reforça que a comida pode parecer uma solução imediata, mas os efeitos são passageiros. “A ansiedade tende a voltar ainda mais forte, junto com a culpa e o desconforto físico”, explica.
Se o medo de não conseguir pagar as contas começa a refletir na sua saúde, é hora de buscar apoio. Psicólogos, endocrinologistas e até educadores financeiros podem ajudar a enfrentar esse desafio de forma mais leve e saudável.
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