sábado, 12 set 2026

Monte Gordo – Padrasto diz que matou enteado de nove anos por acidente

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A demora de Charle de Jesus Santos, 27 anos, em admitir que foi o autor do disparo que vitimou o enteado Guilherme Santos da Silva, 9, no final da tarde de terça-feira (22), em Barra de Pojuca, foi motivada pelo medo de também ser baleado e morto. Essa foi a versão contada pelo garçom, em depoimento prestado à polícia, nesta quarta (23), no qual ele alegou ter sido um tiro acidental que atingiu a nuca do garoto, dentro de um sítio de Cachoeirinha, zona rural de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

Segundo o CORREIO apurou, Charle contou na delegacia de Monte Gordo, no Litoral Norte, que tinha receio que um traficante, tio de Guilherme, o matasse, já que imaginou que ele não acreditaria na versão que afirma ser a verdadeira.

O disparo saiu da espingarda calibre 28 de um homem apelidado Neném, amigo de Charle e caseiro do sítio onde o suposto acidente aconteceu, e atravessou a cabeça da criança, que morreu na hora.

Passeio trágico
No depoimento, o padrasto contou que foi com o enteado até o sítio onde Neném trabalhava para pegar jaca, por volta das 17h40 de terça. Lá, Charle teria começado a manusear a arma do caseiro junto com o amigo e, então, atingido o garoto. O caseiro Neném, cujo nome de registro não foi informado, está foragido e a polícia investiga o seu paradeiro.

O tio de Guilherme, o supervisor de alimentos e bebidas Luís Gifoni, 30, disse que o sobrinho e o padrasto tinham o costume de ir buscar frutas nesse sítio, que era próximo à casa da criança.

Ao CORREIO, o padrasto contou que tentava tomar a arma na mão do amigo na hora do suposto acidente. “Ele, o Neném, me chamou para o quarto e perguntou se eu ainda queria cobrar uma dívida de uma pessoa que me deve e me mostrou a arma”, contou.

Ainda segundo Charle, depois do tiro, Neném fugiu do local com a arma. “Na hora da explosão, ele saiu correndo pelos matos”, comentou.

Sem saber o que fazer, Charle disse que correu até a casa de Pedro, outro amigo que mora perto das proximidades do sítio, para buscar ajuda, mas Guilherme já estava morto.

Versão desencontrada
O garçom, no entanto, entrou em contradição durante os depoimentos dados à polícia. Antes de assumir a autoria do disparo, o padrasto havia contado à família uma versão de que a criança foi morta por engano por uma pessoa não identificada, e que o alvo seria o caseiro Neném.

A verdade, porém, veio à tona no final da manhã desta quarta, quando ele foi intimado para ir à delegacia.

O caso é investigado pela delegada Aymara Bandeira Vaccani, titular da 33ª Delegacia (Monte Gordo).

Charle foi autuado em flagrante por homicídio culposo – quando não há intenção de matar – e será levado para a carceragem da 26ª Delegacia (Abrantes), onde ficará à disposição da Justiça. Já o corpo de Guilherme permanece no Instituto Médico Legal (IML) de Salvador. O enterro está marcado para as 11h desta quinta, em Barra de Pojuca.

Sonhos de menino
Segundo familiares, Gui, apelido do menino, era apaixonado por cavalos e queria ser vaqueiro. Ele frequentava todas as cavalgadas da região e até já tinha ganhado sua primeira égua. “Ele já fez capoeira, tinha bicicleta e videogame, mas o negócio era com os cavalos”, disse o tio Luiz Antônio Rodrigues.

Guilherme morava com a mãe, Olga Silva, com a irmã, Bianca Silva, e com o padrasto, na região de Cachoeirinha, há cerca de quatro anos. A prima do garoto, Rita Mota, ainda não consegue acreditar no ocorrido. “Gui me chamava de tia e eu era muito apegada a ele. Não é justo que isso tenha acontecido com meu menino”, lamentou.

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