terça-feira, 06 out 2026

Mulher faz história ao ser a primeira a dirigir carreta elétrica no Brasil

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BAHIAGÁS

Casada e mãe de três filhos – dois meninos e uma menina -, Magda integra um setor formado majoritariamente por homens. Entre os 12 profissionais do setor na empresa, ela é uma das duas mulheres que atuam na função. A presença feminina, no entanto, não diminui a confiança com que conduz sua trajetória profissional.

Uma paixão antiga pela direção

O contato com o volante começou cedo. Magda conta que aprendeu a dirigir ainda jovem e se habilitou aos 18 anos. Poucos anos depois, decidiu transformar a habilidade em profissão.

“Eu comecei a dirigir com 18 anos. Na realidade, um pouco antes, mas me habilitei com 18. E aí, com os 23 anos, eu fui dirigir ônibus”, relembra. A experiência ao volante de veículos grandes logo se expandiu. Pouco tempo depois, ela passou a dirigir carreta, atividade que exerce há cerca de dez anos.

O interesse pela profissão também é compartilhado dentro da família. O marido e o irmão são caminhoneiros há cerca de duas décadas e sempre incentivaram a trajetória de Magda. “Meu esposo me apoia bastante, me incentiva. Meu irmão também é motorista carreteiro. Ambos me incentivam muito”, conta.

Uma trajetória de pioneirismo

Antes de chegar à carreta elétrica da BYD, Magda acumulou diferentes experiências no transporte rodoviário. Começou dirigindo ônibus urbano em Camaçari e, posteriormente, passou por empresas de fretamento e linhas interestaduais – onde também fez história.

Em uma dessas empresas, tornou-se a primeira mulher a dirigir ônibus em rotas interestaduais. Depois, ampliou ainda mais a experiência ao volante ao assumir carretas em diferentes tipos de transporte de carga.

“Era um sonho que eu tinha desde criança. E eu fui correndo atrás. Trabalhei com ônibus urbano, fretamento, interestadual e depois fui para a carreta”, conta.

Hoje, Magda celebra mais uma conquista profissional ao conduzir um cavalo mecânico 100% elétrico na fábrica da BYD, tornando-se a primeira mulher no Brasil a dirigir uma carreta desse tipo.

Apoio da família e orgulho dos filhos

Conciliar a rotina de trabalho com a maternidade exige organização e uma rede de apoio sólida. Magda destaca que conta com a ajuda da mãe, do marido e de outros familiares para cuidar dos filhos.

“Ser mãe, ser motorista, ser dona de casa, ser esposa, tudo isso requer bastante cuidado, bastante tempo. Mas eu amo tudo o que faço”, afirma.

O orgulho da família é uma das maiores motivações para continuar avançando na carreira. A filha, de 10 anos, já demonstra admiração pela profissão da mãe e sonha em seguir o mesmo caminho. “Ela fala: ‘mãe, eu quero dirigir igual à senhora’. Isso me enche de orgulho”, conta, em meio ao riso e a emoção.

Desafios e preconceitos na estrada

Apesar das conquistas, Magda reconhece que a estrada ainda apresenta desafios para as mulheres. Segundo ela, o preconceito ainda aparece em diferentes situações, principalmente quando se trata de infraestrutura nas viagens e de comentários sobre a presença feminina na profissão.

“Nem tudo são flores. Já enfrentei dificuldades na estrada, com banheiros, com estadias e também com algumas brincadeiras. Mas, a gente vai mostrando que o lugar da mulher é onde ela quiser”, reafirma.

Ela lembra de um episódio em que um colega afirmou que lugar de mulher seria na cozinha. A resposta veio com atitude e profissionalismo. “Eu mostrei que lugar de mulher é onde ela quiser. Não importa fazendo o quê. O importante é fazer o que ama”.

Coragem para seguir os próprios sonhos

Ao refletir sobre o Dia Internacional da Mulher, Magda reforça que a data simboliza a luta diária por respeito e reconhecimento. Para ela, o mais importante é que as mulheres não deixem que o medo impeça a realização de seus sonhos.

“Enfrentem os seus medos. A gente não pode deixar que o medo tome conta da gente. A gente tem mostrado dia após dia que o nosso lugar é onde a gente quiser estar”, diz.

Magda também destaca a importância de que a sociedade reconheça a capacidade feminina em todas as áreas. “Eu gostaria que a sociedade nos enxergasse com mais valor, mais respeito e mais credibilidade. Muitas vezes acham que a gente não é capaz, mas somos capazes de tudo”, conclui ela.

A TARDE

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