domingo, 14 dez 2025

Padrinho narra últimos momentos de menino em Itapuã: “Eu gostava dele”

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Com a voz calma, olhar firme e expressão serena, o cabeleireiro e fotógrafo Rafael Pinheiro de Jesus, 28 anos, contou ontem, em detalhes, ao CORREIO sua versão sobre como se livrou do corpo do pequeno Marcos Vinícius de Carvalho dos Santos, 2 anos.

Durante entrevista na sede da Polícia Civil, na Piedade, ele disse que, depois de o garoto engasgar com mingau e morrer, ele colocou o corpo do menino em um cooler (recipiente para manter bebidas geladas) e o abandonou no areal, em Itapuã, onde foi localizado na quarta-feira.

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Rafael contou que tudo começou na noite da quinta-feira (13), pouco depois das 20h. Ele serviu ao menino leite de soja. Marcos Vinicius tinha intolerância à lactose e era diabético, por isso a alimentação inspirava cuidados. Ainda segundo ele, a criança estava acostumada a tomar a bebida, mas, nesse dia, apresentou uma reação ao alimento. O menino engasgou, vomitou e morreu alguns minutos após a refeição.

A polícia aguarda a conclusão do laudo cadavérico pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) para confirmar ou refutar a versão de Rafael. O documento deve ficar pronto em 30 dias.O padrinho carregou o corpo do afilhado a pé até um areal na Alameda Afrânio Coutinho. Ele voltou para casa, passou na feira do bairro e depois registrou o desaparecimento na delegacia. Rafael conversou de forma tranquila e disse considerar a reação da sociedade justa. Confira a entrevista.

O que aconteceu na quinta-feira à noite? Por que Marcos Vinicius passou mal?
Eu dei a ele leite de soja, que ele estava acostumado a tomar, porque tem intolerância à lactose. Dei o que dava sempre, mas ele começou a passar mal, não sei por quê.

Quando isso aconteceu?
De noite, depois das 20h.

O que aconteceu com o menino?
Ele teve ânsias de vômito. A garganta dele começou a borbulhar, como se estivesse com água dentro. Ele começou a vomitar e logo em seguida, coisa de uns 10 minutos, ele chegou a falecer. Eu tentei reanimar ele, mas não consegui.

E aí?
Eu coloquei o corpo dele em um cooler (recipiente para manter bebidas geladas), esperei o dia amanhecer e levei ele para o areal.

Você saiu que horas? Foi a pé?
Fui. Era entre 7h e 8h.

E depois?
Depois voltei para casa e, de lá, fui na feira e contei a história do sumiço.

Você esteve na delegacia?
Procurei a 12ª Delegacia à noite para registrar o desaparecimento e depois fui para a outra delegacia (DPP).

Por que você não procurou a polícia ou um hospital quando o menino passou mal?
Não falei logo a verdade porque fiquei com medo, medo de tudo isso que aconteceu agora, de eu ser responsabilizado pela morte dele.

Por que você fez página no Facebook, participou de passeata e deu entrevistas, se você sabia que Marcos Vinicius estava morto?
Não fui eu quem organizou a passeata.

Mas você estava lá.
Estava.

Por quê?
(Silêncio)

A polícia diz que sua mãe induziu a investigação ao erro. Ela foi sua cúmplice?
Agi sozinho e minha mãe não sabia de nada. Quem confirmou a história (para a polícia) não foi minha mãe, foi o rapaz do posto (de gasolina), mas ele desmentiu depois.

Por que você resolveu criar Marcos Vinicius?
Peguei ele porque a mãe dele não tinha condições de criar. Ela chegou a dormir no fundo da minha casa, então, eu não podia deixar ele passar isso com ela.

Como era a sua relação com ele? Vocês saíam?
Eu trabalho em casa, por isso é mais fácil cuidar dele. A gente ia na praia, praça, passear. Eu gostava dele.

Você trabalha com o quê?
Sou cabeleireiro e fotógrafo.

Você é usuário de drogas?
Sou.

Usou drogas no dia do crime?
Não.

Você disse no depoimento que foi um acidente, mas a polícia não descarta crime doloso.
O laudo vai confirmar.

Confirmar o quê?
Que foi o sufocamento através de mingau.

Você e Marcos Vinicius moravam sozinhos. A mãe do menino visitava vocês?
Não. Ela não ligava pra ele. Não cuidava dele. Ela não tinha amor por ele.

Está arrependido?
Sim.

As pessoas estão revoltadas. O que você acha da reação da sociedade?
É justa.

Está preocupado com o que pode acontecer com você na prisão?
Não quero pensar nisso.

Fonte: Correio 24 Horas

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JN

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