Nos últimos quatro anos, as vendas de autoveículos (automóveis de passeio e comerciais leves) vieram em curva ascendente na Bahia. Em todo o ano de 2016, foram 83.580 unidades emplacadas no estado. No ano seguinte, houve um leve avanço de 1,2% e as vendas chegaram a 84.609 autoveículos. Em 2018, o mercado tomou mais fôlego e encerrou com alta de 14,3%, atingindo 96.740 modelos. A curva ascendente continuou em 2019, quando as vendas na Bahia totalizaram 101.280 unidades, um crescimento de 4,7%.
Diante desse cenário e com perspectivas mais otimistas dos índices econômicos, a associação que representa a indústria automotiva nacional, a Anfavea, tinha expectativa de que em 2020 as vendas cresceriam na ordem de 9,4%. Com a pandemia, a partir de março, toda a conjuntura foi modificada e agora a indústria ainda estuda os próximos passos. Até 23 de junho, a Bahia emplacou 28.591 autoveículos, índice de -37,6% em relação ao mesmo período de 2019, dentro da estimativa de -40% esperada pela média nacional.
Os números de junho, que serão divulgados na primeira semana de julho, podem soar como alívio. Isso porque as vendas podem crescer muito, em função da reabertura dos Detrans, onde cidades represavam seus dados de vendas. Ainda assim, o semestre certamente estará aquém do que era esperado.
Em um encontro para discutir o comportamento do consumidor pós-pandemia, promovido pela Anfavea junto com Webmotors, Google e KPMG, o CEO do portal automotivo, Eduardo Jurcevic, disse que em abril houve queda de 20% nos acessos e de 40% nas propostas. Em junho, contudo, as visitas ao site foram normalizadas, mas não na mesma proporção que as propostas recebidas por lojistas e concessionárias. “E continuam baixas as propostas entre pessoas físicas por causa do receio de contágio”, conta Jurcevic.
Novo momento
Desde 2014, o mercado assistiu a uma sofisticação dos veículos, o que elevou o preço médio. Agora, o mercado discute se com a crise econômica há um risco de os carros voltarem a um despojamento para reduzir custos. “Não sei se existe oportunidade para carros mais simples, mas há espaço para a indústria lançar o serviço de veículos por assinatura. Oitenta por cento dos consumidores demonstram interesse em baixar o valor de entrada e reduzir o custo de propriedade do veículo”, disse o líder da consultoria KPMG, Ricardo Bacellar.
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, afirma que esta é uma fase de entender o consumidor, seus interesses e seu bolso. “Há outras questões, como as taxas de juros, que podem subir pelo provável aumento da inadimplência, a pressão sobre os preços por causa do alta do dólar e aumento de componentes utilizados na produção”. Além disso, Moraes comenta o receio de ir às compras por causa do desemprego e juros mais altos em reação à alta da inadimplência.
Gustavo Pena, líder da divisão de indústria e mobilidade do Google, conta que foram identificados três novos perfis de consumo durante a quarentena. “O primeiro é aquele que decidiu comprar o carro que sempre sonhou, como se estivesse presenteando a si mesmo diante desse momento difícil. O outro é formado por pessoas que mudaram de cidade, e esse êxodo para o interior criou a necessidade de um veículo. Por fim, há aqueles com medo do contágio pelo coronavírus no transporte público”.
Como consequência da fuga dos coletivos, o CEO da Webmotors ressalta que esse comportamento abre, ainda, a oportunidade para o setor de motos, que leva vantagem por terem menor custo e consumo de combustível.
Intenção de compra
Um estudo da Webmotors indica que, das pessoas interessadas em comprar um carro novo, 89% planejam a aquisição ainda este ano. Dos que já não tinham intenção de comprar um carro (11%), 57% estão preocupados com a incerteza financeira, 34% buscam melhores formas de pagamento e 18% estão com dificuldade de vender o carro atual para comprar outro novo.
Jurcevic, CEO da Webmotors, cita que os consumidores esperam uma boa avaliação em seu modelo usado, redução de impostos e melhores e mais adequadas condições de pagamento. “Esta pesquisa revela mudanças no comportamento dos consumidores”, complementa Moraes, da Anfavea.
O financiamento é a forma de pagamento planejada para 63% dos entrevistados que pretendem comprar carro nos próximos três meses. E a assinatura de carros, um aluguel a médio e longo prazo, é considerado por 56% dos consumidores.
Fonte – A Tarde


