quarta-feira, 10 jun 2026

Rifeiros manipulam sorteios online com ajuda de falsos ganhadores

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Influenciadores digitais fazem fortuna com sorteios de rifas ilegais vendidas em sites da internet por valores irrisórios, é o que aponta uma investigação feita pela polícia em vários estados do país.

Um dos casos é o do casal de Gladison Pieri e Pâmela Pavão. Eles são de Canoas, no Rio Grande do Sul, e foram presos em um apartamento de luxo em Balneário Camboriú, Santa Catarina. No local, foram encontrados joias, artigos de grife e uma mala transparente cheia de dinheiro.

O organizador consegue, por exemplo, determinar se vai ter um vencedor ou não. Na operação de busca da última semana, Gladison acabou preso por manter uma arma ilegal em casa. Ele pagou fiança de R$ 60 mil e foi liberado. Segundo a polícia, no mesmo dia ele e a esposa Pâmela voltaram a anunciar sorteio, incluindo de um carro de luxo apreendido pelas autoridades.

“Anunciar um veículo que está apreendido, descumprir uma ordem judicial, que é continuar com aquela atividade ilícita, é uma afronta ao sistema de justiça criminal”, diz o delegado Cristiano de Castro Reschke, de Canoas (RS).

Na última sexta-feira, dia 23, a Justiça decretou a prisão preventiva de Gladison e Pâmela, mas a medida foi revogada e medidas restritivas foram impostas a ambos. A polícia diz que comprovou o crime de lavagem de dinheiro e contravenção penal, além de continuar a investigação sobre os prêmios em dinheiro, casas e automóveis eram realmente entregues aos compradores das rifas.

“Os ganhadores, alguns deles, têm vínculos pessoais com os investigados. Eles receberam, inclusive, valores nos dias dos sorteios. Valores em suas contas, além do bem sorteado”, completa o delegado.

Um promotor investiga os sites usados para hospedar sorteios das rifas. “A segurança desses sites é muito frágil. Ele propicia uma série de fraudes em relação às rifas. O organizador consegue, por exemplo, determinar se vai ter um vencedor ou não”, explica o promotor.

Por nota, a defesa de Gladison Pâmela Pavão informou que “há um desconhecimento técnico por parte das autoridades quanto aos sorteios e que os fatos serão esclarecidos durante a investigação’.

Golpe em Goiás

Em Goiás, segundo a polícia, outro tipo de sorteio movimentou ilegalmente R$ 27 milhões em dois anos. Os sorteios aconteciam ao vivo na internet, e era divulgado por famosos como Sheila Mello e Henri Castelli.

Segundo a polícia, tanto os atores quanto os apresentadores dos sorteios não tiveram qualquer envolvimento com o golpe. Os investigadores afirmaram ainda que profissionais foram enganados pelos criminosos. Procurados, os artistas e apresentadores não se manifestaram.

Cada cartela custa R$ 15 e, na teoria, quem acertasse todas as dezenas levava o prêmio. Na realidade, segundo a polícia, o sorteio era manipulado. Em uma das gravações obtidas pela investigação, os criminosos explicam como os falsos ganhadores eram contratados para mentir.

 

G1

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