Se a situação já estava bem difícil, a delação do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) enterra de vez qualquer possibilidade de sucesso na pretensão do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), de disputar o governo do Estado com o governador Rui Costa (PT), candidato à reeleição.
Muito mais do que prejuízos eleitorais, a delação de Geddel, preso desde setembro, depois de a Polícia Federal estourar um apartamento em Salvador onde guardava R$ 51 milhões, faz um estrago terrível na imagem de ACM Neto, em nível estadual e nacional.
O ex-ministro afirmou à PGR (Procuradoria Geral da República) que contribuiu financeiramente, com valores significativos, nas duas campanhas de ACM Neto a prefeito de Salvador. Dinheiro, segundo admite o delator, oriundo de propinas. Os dois são parceiros políticos de longa data.
A imagem de ACM Neto se desgastou muito em 2017, principalmente depois que ele intercedeu junto ao presidente Temer para impedir a liberação de um empréstimo, já assinado, para o Estado, de R$ 600 milhões, verba destinada à recuperação de estradas. Ficou carimbado como um político egoísta e vingativo, que não hesita em prejudicar a Bahia para satisfazer interesses pessoais.
Embora a delação de Geddel tenha ocorrido na terça-feira, até agora o prefeito de Salvador não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
*Rogaciano Medeiros é Jornalista


