terça-feira, 03 nov 2026

El Niño pode pressionar custos de empresas e encarecer fretes em 2027

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Santa Helena

A previsão de um El Niño de forte intensidade no fim de 2026 acende um alerta para empresas brasileiras que dependem de insumos agrícolas, transporte rodoviário e navegação fluvial. Os efeitos do fenômeno podem se estender ao longo de 2027, com riscos de aumento nos custos de produção, dificuldades logísticas e pressão sobre o caixa das companhias.

O quarto boletim do Painel El Niño 2026–2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano. A previsão indica chuva acima da média na Região Sul e condições de estiagem em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os efeitos econômicos, no entanto, não ficam restritos ao período de ocorrência do fenômeno. Alterações na produção agrícola e nas condições de transporte podem levar meses para chegar aos preços dos insumos e aos contratos das empresas, prolongando a pressão sobre os custos em 2027.

Efeitos sobre produção e logística

O impacto climático pode atingir diferentes etapas das cadeias produtivas. No campo, mudanças no regime de chuvas afetam as condições de cultivo e podem comprometer a oferta de determinadas matérias-primas. Na logística, a estiagem pode reduzir a navegabilidade de rios na Região Norte, enquanto o excesso de chuva no Sul pode prejudicar estradas e dificultar o transporte de mercadorias.

O release cita estudos do Banco Central segundo os quais os efeitos de episódios anteriores de El Niño sobre os preços da alimentação no domicílio se acumularam em mais de 11 pontos percentuais ao longo de quatro trimestres. Também menciona projeções de alta de até 5% nos preços internacionais de commodities agrícolas em 12 meses, atribuídas a relatórios do BC e estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Essas projeções indicam possíveis pressões sobre os custos de empresas que utilizam produtos agrícolas como matéria-prima ou dependem de cadeias de transporte sujeitas às condições climáticas.

Empresas podem sentir efeitos com atraso

O descompasso entre a ocorrência do fenômeno e o repasse dos custos é um dos pontos de atenção destacados por Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, empresa especializada em expansão de negócios.

“O clima muda primeiro, e o custo chega depois, quando a quebra de safra, o frete mais caro e o reajuste dos contratos se espalham pela cadeia. Quem olha só para o calendário do clima percebe o problema tarde”, afirma.

O executivo também chama atenção para a dependência de fornecedores indiretos. Uma empresa pode conhecer bem seu fornecedor imediato, mas não ter informações sobre a origem das matérias-primas utilizadas por ele. Essa falta de visibilidade dificulta a identificação de riscos e pode fazer com que negócios distantes das regiões afetadas também enfrentem atrasos, despesas adicionais e dificuldades de reposição de insumos.

Planejamento para reduzir riscos

Entre as medidas recomendadas pela Goshen Land estão o mapeamento de matérias-primas essenciais, a identificação de fornecedores alternativos e o cálculo do prazo necessário para reposição dos produtos. A diversificação de rotas de transporte também pode reduzir a dependência de regiões ou modais mais vulneráveis a secas e enchentes.

Outra possibilidade é a formação de estoques de segurança. A estratégia, porém, exige equilíbrio: embora ajude a evitar interrupções na produção, também imobiliza capital e aumenta as despesas de armazenagem.

O planejamento inclui ainda a revisão antecipada de contratos com fornecedores, transportadoras e seguradoras, especialmente de cláusulas relacionadas a reajustes de preços e situações de força maior.

A empresa também recomenda que as companhias monitorem indicadores climáticos e índices de frete para antecipar decisões de compra e identificar possíveis substituições de matérias-primas. A avaliação deve considerar quais insumos são indispensáveis, quanto tempo levaria para substituí-los e qual seria o impacto financeiro de uma eventual interrupção.

Com a possibilidade de alterações no regime de chuvas no fim de 2026, a preparação das cadeias de suprimentos passa a integrar o planejamento operacional das empresas para o próximo ano.

Continue acompanhando

O Paraíba Business acompanha os fatores que influenciam os custos de produção, a logística e o ambiente de negócios, além dos impactos das mudanças climáticas sobre a economia.

 

Fonte: Paraiba Business

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