O avanço do uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, entre adolescentes tem despertado a preocupação de médicos, educadores e famílias. Utilizados muitas vezes de forma escondida, inclusive dentro de escolas, os dispositivos representam um desafio de saúde pública, especialmente entre jovens de 13 a 17 anos.
Para muitos adolescentes, o consumo está relacionado à busca por aceitação social e ao desejo de parecer moderno ou “descolado”. Quem opta por não usar o dispositivo pode ser chamado de “careta” pelos colegas, o que contribui para a pressão social em torno do hábito. No Brasil, a comercialização de cigarros eletrônicos é proibida.
A juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, destaca ainda a influência das redes sociais na popularização e na normalização do consumo entre os jovens.
Dados do IBGE mostram a dimensão do problema. Cerca de três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas, afirmam já ter experimentado cigarro eletrônico. Entre as meninas, o índice chega a 31%, enquanto entre os meninos é de 27%.
Diante desse cenário, escolas têm promovido palestras, debates e ações de conscientização para alertar os estudantes sobre os riscos do consumo. No Rio de Janeiro, educadores relatam mudanças no comportamento dos alunos após essas iniciativas, incluindo maior participação dos próprios jovens na conscientização dos colegas.
Professores também observam alterações comportamentais em estudantes que fazem uso dos dispositivos, como agitação e dificuldade de concentração.
Riscos à saúde
Especialistas alertam para os riscos associados à exposição à nicotina e a outras substâncias presentes nos cigarros eletrônicos. O consumo pode favorecer a dependência e trazer consequências para a saúde, especialmente durante a adolescência.
A pneumologista Margarete Dalcolmo chama atenção para a gravidade do problema e defende ações de prevenção para evitar que uma nova geração de jovens desenvolva dependência de nicotina e enfrente consequências graves e evitáveis.
Fonte: Band

