O ex-goleiro Bruno Fernandes entrou na Justiça contra a Band e a apresentadora Catia Fonseca e pede uma indenização de R$ 4 milhões por danos morais e suposta violação de direito de imagem.
Na ação, Bruno afirma que foi alvo de uma sequência de reportagens e conteúdos exibidos pela emissora que, segundo sua defesa, teriam provocado prejuízos à sua imagem e dificultado a conquista de novas oportunidades profissionais.
O processo tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Cabo Frio, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A ação questiona conteúdos publicados pela Band desde 2022, principalmente no programa Melhor da Tarde, relacionados à vida do ex-jogador e ao caso envolvendo a morte de Eliza Samudio.
Bruno também questiona declarações de Catia Fonseca
Na ação, a defesa de Bruno cita declarações feitas por Catia Fonseca durante o programa. Em um dos episódios mencionados, a apresentadora fez críticas ao ex-goleiro ao comentar a relação dele com o filho que teve com Eliza.
Para a defesa, as declarações e reportagens teriam ultrapassado os limites da cobertura jornalística e contribuído para a exposição negativa do ex-jogador.
Além da indenização, Bruno também pediu à Justiça que a Band fosse impedida de continuar exibindo conteúdos relacionados ao caso e de fazer novas menções a ele no Melhor da Tarde.
Justiça nega pedido para retirar conteúdos
O pedido para impedir novas publicações, no entanto, foi negado pela juíza Juliana Gonçalves Figueira.
Na decisão, a magistrada destacou a necessidade de preservar a liberdade de expressão, ressalvando situações em que haja conteúdo evidentemente falso ou criminoso. A juíza também entendeu que não havia elementos suficientes para determinar a retirada das publicações.
Outro ponto considerado foi o fato de Bruno ser uma pessoa pública e de o processo criminal relacionado à morte de Eliza Samudio ter tido grande repercussão nacional.
Segundo a decisão, o simples fato de acontecimentos relacionados ao caso voltarem a ser noticiados não caracteriza, por si só, uma prática ilegal.
O pedido de indenização de R$ 4 milhões ainda não foi definitivamente julgado.
Band e apresentadora não comentam processo
Procuradas, a Band e Catia Fonseca informaram que não comentam processos judiciais em andamento.
Segundo o veículo responsável pela divulgação das informações, a defesa de Bruno não respondeu aos contatos realizados.
O caso voltou a ser abordado pela Band neste ano, inclusive em conteúdos relacionados à relação do ex-goleiro com o filho. Atualmente, o Melhor da Tarde é apresentado por Leo Dias, Chris Flores e Thiago Pasqualotto.
Condenação pela morte de Eliza Samudio
Bruno foi condenado em 2013 pelo Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais, a 22 anos e 3 meses de prisão pelo envolvimento na morte de Eliza Samudio.
A condenação incluiu homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho, além de ocultação de cadáver.
O crime ocorreu em 2010. Segundo as investigações e a condenação, Eliza foi levada para Minas Gerais sob a promessa de que resolveria uma questão relacionada à paternidade. Ela estava com o filho recém-nascido quando foi mantida em cárcere privado em um sítio ligado ao ex-goleiro.
As investigações apontaram ainda que Eliza foi posteriormente levada para a residência de Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, apontado como executor do homicídio. O corpo da modelo nunca foi localizado.
Bruno chegou a cumprir parte da pena em liberdade, mas voltou a ser preso em maio deste ano após descumprir medidas cautelares. Conforme informações apresentadas no processo, ele teria desrespeitado o recolhimento noturno e viajado ao Acre para disputar partidas de futebol profissional.
O processo movido contra a Band e Catia Fonseca continua em tramitação, e ainda não há decisão definitiva sobre o pedido de indenização de R$ 4 milhões.

