quarta-feira, 28 out 2026

Vaquinha para mãe de Ana Clara arrecada R$ 1,5 milhão em menos de cinco horas

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Santa Helena

Uma rede de solidariedade virtual arrecadou mais de R$ 1,5 milhão em menos de cinco horas para apoiar Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara Gomes Machado. A menina morreu aos 5 anos, quando brincava na porta de casa, ao lado do irmão, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, e foi atingida por um tiro de fuzil disparado por um policial, em 2 de fevereiro de 2021.

Organizada pelo projeto jornalístico Revelando — que lançou recentemente a série documental “O Julgamento que Nunca Aconteceu” —, a vaquinha online superou todas as expectativas iniciais e teve suas doações formalmente encerradas logo após atingir o montante.

 

De acordo com os organizadores da mobilização, os recursos financeiros terão destinos específicos e estruturados para garantir a dignidade da família. A prioridade absoluta será a aquisição de uma casa própria, segura e totalmente mobiliada. Além disso, uma parcela substancial do valor será alocada na abertura de uma conta poupança destinada ao futuro de Pedro, irmão mais novo de Ana Clara.

Até então, devido à severa vulnerabilidade socioeconômica agravada após o trauma, Cristiane vivia de favor em uma habitação precária, e Pedro precisava morar com a avó por falta de estrutura familiar básica. A arrecadação visa a restabelecer o convívio e a estabilidade da família.

Alerta contra fraudes

Logo após o encerramento da contagem dos valores, a equipe responsável pelo projeto Revelando e a própria plataforma Vakinha emitiram um comunicado oficial alertando a população. Diante do sucesso estrondoso e da velocidade dos repasses, perfis falsos começaram a surgir nas redes sociais tentando se passar por familiares. Os organizadores reforçaram que nenhum outro pedido de doação ou nova chave Pix está autorizado em nome de Cristiane.

O caso Ana Clara

A velocidade da arrecadação reflete a forte comoção nacional que o caso tomou nos últimos dias. Na manhã de 2 de fevereiro de 2021, Ana Clara brincava no portão de sua residência, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, quando foi atingida por estilhaços e disparos de fuzil vindos de uma ação da Polícia Militar. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi formalmente acusado pelo Ministério Público pelo homicídio.

O caso voltou ao centro do debate público após vir à tona que a banca jurídica de defesa do policial incluiu o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que assinou recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão de levar o réu a júri popular. O julgamento arrasta-se nos tribunais há cinco anos sem uma data definitiva para ocorrer.

Na última semana, Cristiane esteve presente na primeira fileira da plateia do debate eleitoral na TV Globo, a convite da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então adversrário de Flávio. Durante a transmissão ao vivo, ao ser confrontado sobre o caso, Flávio dirigiu-se à mãe de Ana Clara chamando-a erroneamente pelo nome da filha falecida, gerando uma forte reação imediata de Cristiane: “Ela morreu!”. O episódio gerou intensa repercussão nas redes sociais e impulsionou a criação de uma série jornalística e, consecutivamente, a campanha de apoio financeiro concluída hoje.

Fonte: O GLOBO

 

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