Com destaque no mundo inteiro, o Outubro Rosa é um movimento de mobilização pela detecção precoce do câncer de mama. Em vários países são realizadas ações para a conscientização de mulheres das mais variadas idades, culturas e etnias.

Na Bahia, esse ano, o Governo do Estado pretende realizar mais de 20 mil mamografias, na capital e no interior. Essa é a nova meta baiana para a campanha Outubro Rosa. A expectativa é superar o recorde mundial de 20 mil exames realizados no mesmo período de 2015.

Para falar sobre o assunto e esclarecer dúvidas, a nossa reportagem conversou com Dra. Mychely Rêgo, especialista em mastologia e doutora pela UNIFESP-EPM. Em Camaçari, Dra. Mychely Rêgo atende no Centro Médico do Polo.
Nossa Metrópole – Em relação ao Utubro Rosa, que é o mês da prevenção, surgem inúmeras campanhas sobre o tema. Na prática, a senhora acredita que tem surtido efeito?
Dra. Mychely Rêgo – Sim. O Outubro Rosa é um movimento mundial, que surgiu em 2002 para alertar as mulheres sobre a importância do auto-cuidado com as mamas. Ajuda também na conscientização da importância de realização da mamografia e de outros exames para detecção precoce do câncer de mama.
A campanha é muito importante, porque hoje em dia, um câncer de mama diagnosticado rapidamente, tem probabilidade de morte muito pequena.
É importante pensar em prevenção o ano inteiro, correto?
Com certeza. É importante que todo o ano lembremos da importância da mamografia e de visitar regularmente o ginecologista ou mastologista.
Tem sido crescente nos últimos anos o número de mulheres com idade inferior a 30 anos com diagnóstico de câncer de mama. Por que a mamografia só após os 40?
A partir dos 40 anos as mamas se tornam menos densas e com melhor visualização das patologias através da mamografia. Nas pacientes jovens (com mamas densas) é preferível realizar a ultrassonografia das mamas.
Para mulheres mais jovens, quais atitudes são recomendadas para não retardar um possível diagnóstico?
Sempre que a paciente ou o médico ginecologista detectar alguma alteração nas mamas ou axilas, o ideal é realizar uma ultrassonografia das mamas, principalmente em mulheres mais jovens, ou mamografia a partir dos 35 anos.
O câncer de mama é o segundo mais incidente na mulher. Ele só perde para o câncer de pele não-melanoma. Em relação ao estilo de vida, o que devemos evitar para diminuir os riscos do câncer?
É muito importante termos uma dieta saudável, mantermos o peso (a obesidade é um fator de risco para vários cânceres, inclusive o de mama) e sair do sedentarismo.
A questão hereditária também tem forte influência?
Sim. Porém apenas 10% dos cânceres de mama são hereditários. 90% das pacientes com câncer de mama não tem parentes acometidos pela doença.
É verdade que nem todos os casos de câncer de mama são tratados com a quimioterapia?
Sim. Alguns casos só precisam de cirurgia, ou cirurgia mais radioterapia (tratamento local), por se tratarem de tumores iniciais (pequenos), muitas vezes, só vistos na mamografia.
Já ouvi falar que a mulher que não tem filhos, tem uma maior probabilidade do câncer. Se trata de um mito, ou tem fundamento?
As mulheres sem filhos, ou que tiveram filhos após os 30 anos, ou ainda que nunca amamentaram têm risco um pouco maior de ter câncer de mama, quando comparadas com a população geral.
Em relação ao implante de silicone, a prótese pode dificultar a visualização de tumores no momento da mamografia?
Não. Principalmente se o implante for colocado atrás do músculo peitoral. Ainda podemos realizar nessas pacientes a ressonância magnética das mamas.
Após a cura do câncer, os cuidados devem ser redobrados?
Sim. A paciente que teve um câncer de mama se torna uma paciente de alto risco para o desenvolvimento de novos tumores, por isso deve ser monitorizada a cada 6 meses por seu mastologista.
Por Fabiana Monte

